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EditorialA casa da oposição

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5 de fevereiro de 2012 às 09:48

O Maranhão não anda, com sua principal rodovia cheirando a cemitério, e não voa, com seu único aeroporto internacional partido ao meio. E entre os socavões da BR-135 e as paradas obrigatórias no espaço, as turbulências eleitorais anunciam dias sem ternura no mundo político, muita corrupção e intervenções descabidas.

No Partido dos Trabalhadores, 4 mil filiados indicarão os delegados que vão escolher entre o militantes Bira do Pindaré e o candidato da oligarquia Sarney, o vice-governador Washington Oliveira.

Aqui, parece que a corrupção será inevitável, pois a simples decisão entre as teses de escolha direta e escolha indireta já trouxe notícias de malas de dinheiro e abuso de poder político traduzido em empreguismo, sinecuras e outras bandalheiras do sarno/petismo. É capaz de o carro capotar e o avião cair.

Na estrada estão muitos candidatos mancando à procura de um transporte público que nunca chega; outros preferem arriscar um voo, mesmo diante da possibilidade de um pouso forçado em pista sem asfalto e apinhada de bodes gregórios, jumentos e galinhas. A aventura eleitoral de 2012 é um risco em todos os sentidos, devido a uma estranha peculiaridade: no Maranhão não existe candidato de governo, a não ser o inviabilizado vice-governador. De resto, todo mundo é candidato de oposição. Tadeu Palácio é oposição, Flávio Dino é oposição, Roberto Rocha também, Eliziane Gama mais ainda, Edivaldo Holanda Júnior muito mais, de forma que vivemos um fenômeno que, em nível de Brasil, só foi percebido por Eugênio Bucci (revista Época), que constatou o sobrenatural sumiço da direita no Brasil.

Em analogia às afirmações do primoroso artigo de Bucci, na casa da oposição maranhense, hoje, cabe todo mundo. Quem já foi secretário de governo, quem prejudicou a aliança oposicionista em 2010, quem foi eleito por debaixo dos panos pela oligarquia, quem reza (e como reza) em duas cartilhas, quem é radical, quem é moderado, quem canta e quem desafina. A moradia da oposição ficou tão escancarada que, sem vigia, jardineiro nem empregada doméstica, está entrando todo mundo, até quem nunca quis estar lá. É capaz até de Washington, perdendo a indicação no PT, buscar abrigo para sua candidatura na casa da oposição.

Constata-se, assim, que 'o sobrenatural sumiço da direita' no Brasil, identificado por Eugênio Bucci, tem como correspondente no Maranhão, 'o sobrenatural sumiço de governistas', de roseanistas, de sarneysistas. Eles não existem mais, evaporaram, sumiram no ar. Esta será a campanha da oposição contra a oposição. Até porque, pelo que consta, se não tem as chaves do portão principal, o governo, por meio de seus emissários disfarçados, conseguiu as chaves do porão. E é lá que trama para destruir o jardim, secar o poço das vaidades inúteis e derrubar a casa.

Enquanto isso, o Maranhão não voa, nem anda. Manca à procura de segurança, de obras, de melhor qualidade de vida, de esperança. E manca ao lado de candidatos que, mais uma vez, se esmeram em fazer o jogo da oligarquia. Precisamos, urgentemente, de uma BR onde as ilusões também não morram e de um aeroporto em que não seja proibido voar.

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