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ArtigosArari nossa fonte de inspiração

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Por: Nilson de Jesus Ericeira Sousa Data de Publicação: 15 de janeiro de 2012 às 08:50

Além de uma paisagem maravilhosa, ladeada pelo Rio Mearim, campos naturais e de um povo acolhedor e diferenciado, Arari destaca-se pela produção de arroz, pescado, melancias, pelo fenômeno natural da Pororoca, pororocam em nós um sentimento de amor e fraternidade uns com os outros tanto que, nos finais de semana e feriados, nosso endereço é em direção ao lugar que melhor nos encontramos e que mais nos sentimos bem. É certo que também somos atraídos pelo Festival da Melancia, pela manifestação religiosa de Bom Jesus dos Aflitos, pela festa de Nossa Senhora da Graça e de tantas manifestações culturais, mas principalmente somos pelo necta de amar.

Com igual sabor também nos alimentamos do orgulho provocado por um grupo seleto de ararienses que descreve com tanta maestria em poesias, contos, artigos, contos, cifrados em coisas de nossa terra. Pessoas que Deus os diferenciou pela inteligência e têm tido a oportunidade de divulgar suas pesquisas e impressões sobre Arari, têm enriquecido ainda mais a nossa literatura e deixado a gerações trabalhos de valor indescritível. Disso eu também me alimento: do fazer literário dos intelectuais de Arari que nos colocam entre as cidades do Maranhão de peculiar intelectualidade.

Há ainda os anônimos por opção ou por falta de recursos e políticas culturais para divulgação de seus trabalhos e os que, de uma nova lavra, fazem um excelente trabalho nas comunidades sociais ou em outras mídias. Nesse bojo há a inegável contribuição de novos bons professores que se somam aos ao labor dos que já há muito contribuem com as suas sublimes missões de interagir. Num dia desses, em que as pessoas de nossa cidade aos poucos despertavam, sendo recepcionadas para um dia no paraíso da Baixada Maranhense, indo ao mercado, comprar pães, ou mesmo tomar cafezinho na praça, ou mesmo prosear em rodas com a última ou primeira informação do dia, conversando com um dos tantos escritores anônimos de Arari, que me produzia na infância, permitindo viajar no lúdico com bugigangas que me transportavam a famosos engenheiros, engendrador de mundos, talvez. Falou-me de dois artigos que estão na sua cachola e já já transportam-se a páginas permissíveis às letras. Pelo que vi está dentro do campo dos valores da família e educação formal. E mais a frente, outro me declamou poemas seus. Este descreveu coisas próprias que, de tão nossas, dão forma, cor e ideias a poesias. Encantos que só em Arari encontramos. Ou melhor, nos encontramos.

Há também aqueles que já são da galeria dos imortais, a exemplo, posso citar o senhor Horácio da Graça de Sousa Filho, em cujo legado político, tendo sido vereador, vice-prefeito e prefeito de Arari, dedica-se à poesia e a história das famílias de Arari. Contador de ricos causos e lembranças eternizadas na sua grafia, senhor Horácio é um poeta que se encuca tanto na sua arte que deve ter uma boa lavra de belos poemas e muitas histórias sobre Arari e seu povo. Orgulho-me de me considerar seu amigo, e seguir trajetória contínua a consideração a seus filhos que também compartilharam da minha infância feliz vivida em Arari, entre as ruas do Sol e do Mercadinho. Outros atores, autores, artistas multifacetados que se transformam para ajudar Arari, como é o caso de José de Ribamar Teles (nosso Maisena). Professor, desportista, locutor, funcionário público, e inegável reserva cultural de Arari, seja pelos seus feitos ou pelos importantes cargos que já exercera na sua vida pública. Como se percebe a veia cultural de Arari é pulsante, ao nominar, não seremos tão justos com tantos outros de igual valor. A exemplo, referencia-se à família Everton, nas pessoas de Marcelino, Luiz Henrique e todos os outros irmãos que, além de realizações profissionais por meio de uma luta muito digna e honrada que lhes foi repassada pelos seus pais, honram-nos com seus escritos em livros e páginas dos principais jornais do Maranhão. Outro que não deixa por menos é o nosso conterrâneo doutor Nerle Cutrim, médico, filho de Arari, que há algum tempo realiza trabalho de igual magnitude a nosso povo. Falo de pessoas magnificentes que não se deixaram levar pelo modismo imediatista do capitalismo e reservam parte de seus tempos ao enriquecimento de nossa história: a história de Arari. Parabéns para nós de Arari cujo solo brotou gente tão grandiosa assim. Seres humanos que sem pretensão escrevem a história de Arari à luz de suas percepções, mas muito que motivados pela sensibilidade que esta terra nos proporciona.

Nessa mesma esteira, colocam-nos também num lugar de destaque intelectual, os já consagrados escritores João Batalha e José Fernandes. Fazendo coro a esse quadro o intelectual Hilton Mendonça Correa Filho (Hiltinho), que realiza rico trabalho de reportagens fotográficas seguidas de textos em português escorreito de que muito enriquece a história de Arari, assim como nos permite transbordar de orgulho e felicidade. O trabalho de Hilton é uma fonte que revolve nossa sensibilidade e nos transporta a tempos, lugares, seres e fatos que de muito nos alegramos. Aliás, o ramo da constituição de sua família só nos engrandece e enobrece. Tais pais, tais filhos! Isso para não homenagear um por um como numa contrição de quem reconhece em vocês uma índole vocacionada apenas para o bem. Mas isso é semente. Explicam-se, então os frutos...

Por ironia, ou por devido merecimento, destaca-se a polêmica em poesia por meio de seu livro Ironia, de cuja veia satírica nos presenteou o poeta e escritor Paulo César, que também tem produzido inúmeras crônicas e artigos sobre coisas nossas; que tem se dedicado à comunicação e a história política de Arari; que inegavelmente, trata-se de um mais um autodidata que tem produzido sem alarde coisas nossas com a capacidade proativa de nos remeter a diferentes épocas históricas de nossa terra. Destacam-se também nessa nova lavra os bons escritores, os filhos de Arari César Abas, filósofo-professor e ativista da política local que desde jovem dedica-se a fomentar a cultura de nosso Município, desde muito cedo engajado e militante em nossa terra. E recentemente tive acesso à literatura na poética de José Silva, um cidadão de bem que narra em sua poesia em linguagem acessível e de grande valor e contribuição para todos nós.

Como se pode perceber, Arari é um celeiro de escritores, poetas, comunicadores, intelectuais, de gente generosa no coração e na alma. Nessa pequena amostra, cuja nominação não pretende ser injusta com os que mesmo não tendo sido nominados, sintam-se representados no refúgio de suas reflexões e na consequente inspiração que Arari nos faz.

Nosso ponto final se encontra com a urgente necessidade de investimento em nossos valores humanos, tarefa que prescinde de sensibilidade dos que se eternizaram, contribuindo com seus saberes, bem como do esforço do Poder Público e da vontade política dos governantes no sentido de valorizar nossa história, nossa literatura e indicar novos passageiros e em outros caminhos...

*Poeta, jornalista, professor, psicopedagogo e estudante de Direito.

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