Salgado Maranhão e Ferreira Gullar vencem prêmios da ABLPor: Oswaldo Viviani
A Academia Brasileira de Letras anunciou na quinta-feira (16) os vencedores de sua premiação literária anual. Dois maranhenses foram premiados. O prêmio de poesia foi para Salgado Maranhão, pelo livro “A Cor da Palavra” (editora Imago). O de literatura infanto-juvenil ficou com Ferreira Gullar, com “Zoologia Bizarra” (editora Casa da Palavra).
Já o prêmio Machado de Assis – o mais importante da ABL – foi dado ao historiador Carlos Guilherme Mota, pelo conjunto de sua obra. Ele vai receber R$ 100 mil.
Pelo romance “Nada a Dizer” (Companhia das Letras), a escritora e tradutora Elvira Vigna recebeu o prêmio de ficção. Ela, como os demais vencedores em outras categorias, ganhará R$ 30 mil.
O de tradução ficou com Sergio Flaksman, por “O Amante de Lady Chatterley”, de D.H. Lawrence (Penguin-Companhia).
A premiação será entregue em julho na sede da ABL, no Rio.
OS PREMIADOS
PRÊMIO MACHADO DE ASSIS (conjunto da obra): Carlos Guilherme Motta, professor titular de história contemporânea na USP e de história da cultura na faculdade Mackenzie. Foi diretor-fundador do Instituto de Estudos Avançados da USP e professor visitante nas universidades de Londres, Texas, Salamanca, Stanford e diretor de estudos da École des Hautes Études em Paris. Autor de “Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974)” e “História do Brasil: Uma Interpretação” (com Adriana Lopez), entre outros.
POESIA: Salgado Maranhão - “A cor da palavra”
Nascido em Caxias, em 1953, José Salgado Santos, Salgado Maranhão, é poeta e compositor. Ele estudou Comunicação na PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro, onde mora desde 1973.
Compositor-letrista, tem músicas gravadas por vários artistas como Amelinha, Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Rosa Maria, Vital Farias, Zizi Possi. Em 1999, recebeu o Prêmio Jabuti, o maior prêmio literário do Brasil.
“A Cor da Palavra” é uma antologia, com poemas escolhidos dos seus livros “Aboio”, “Punhos da Serpente”, “Palávora”, “O Beijo da Fera”, “Mural de Ventos”, “Sol Sanguíneo”, “Solo de Gaveta” e “A Pelagem da Tigra”.
LITERATURA INFANTO-JUVENIL: Ferreira Gullar - “Zoologia Bizarra”
Poeta, crítico de arte, tradutor, cronista, dramaturgo e ensaísta, Ferreira Gullar nasceu José Ribamar Ferreira, em 1930, em São Luís do Maranhão. Em 1951, mudou-se para o Rio, onde ficou conhecido pelo movimento neoconcreto, que criou ao lado de Lygia Clark e Hélio Oiticica. Engajado, nos anos 60 foi presidente do CPC da UNE, filiou-se ao Partido Comunista e ajudou a fundar o grupo Opinião. Preso após o decreto do AI-5, em 1968, é exilado, período em que escreve sua obra mais famosa, “Poema Sujo”. Retorna ao Brasil em 1977 e, depois de uma nova passagem na prisão, volta a publicar regularmente – já são mais de 40 títulos, muitos deles premiados. Em 2010, quando completou 80 anos, Gullar, que já foi indicado ao Nobel, recebeu o Camões, o mais importante prêmio da língua portuguesa.
“Zoologia bizarra” é resultado de um despretensioso hábito do poeta: cortar correspondências, convites e outros variados papéis que recebe em casa e, a partir deles, fazer colagens. Contando com a “ajuda” de Gatinho, seu antigo gato de estimação, Gullar descobriu ao acaso novas possibilidades para suas colagens. Assim nasceram a “lhama bailarina”, o “pássaro tenista”, o “cachorro-lagartixa”, o “dragão bonzinho” e todos os outros bichos que compõem “Zoologia Bizarra”.
FICÇÃO: Elvira Vigna - “Nada a dizer”
ENSAIO, CRÍTICA LITERÁRIA: Ronaldes de Melo Souza - “Ensaios de Poética e Hermenêutica”
TRADUÇÃO: Sergio Flaksman - “O Amante de Lady Chatterley”
HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS: Maurício de Almeida Abreu - “Geografia histórica do Rio de Janeiro”
CINEMA: Esmir Filho e Ismael Canappele - Filme: “Os Famosos e os Duendes da Morte”
(Com informações da Folha Online)