EMPRESA SOCIALA empresa pode ser definida como uma coletividade econômica cujo objetivo é produzir bens ou serviços visando o lucro financeiro. A empresa social compartilha com a empresa clássica a afirmação de um projeto econômico e a necessidade da busca do lucro. Entretanto, na empresa social o projeto econômico e os excedentes financeiros não são uma finalidade em sim, mas um meio a serviço de um projeto social.
Na empresa social, o lucro é reinvestido na empresa ou na coletividade para fins sociais. A empresa social se caracteriza, portanto, por substituir o econômico pelo social i.e. o lucro é reinvestido em projetos para melhoria da qualidade de vida das pessoas. A ideia é de tirar proveito dos métodos usados no setor a fins lucrativos para financiar e reforçar setores sem fins lucrativos.
Este conceito, relativamente novo, apareceu pela primeira vez nos estados unidos, na Itália e na Bélgica no início da década de 90 por meio de fundações e de escolas de negócios conceituadas como a da Universidade de Harvard. O desafio era de garantir sustentabilidade a projetos sociais, culturais, ambientais, etc. Já em 1991, o parlamento italiano votou uma lei já reconhecendo as empresas sociais e logo em 1996, a união europeia criou uma rede de pesquisa sobre a emergência das empresas sociais. Na Inglaterra, o governo Tony Blair lançou em 2002, um vasto programa para promoção de que é chamado na língua de Shakespeare social enterprise.
Com o surgimento deste conceito, está nasceu uma nova geração de empresários: uma geração que busca lucrar, mas que abre mão deste lucro para tornar sua empresa um agente de melhorias sociais. Isto pode parecer utópico? mas não é. Hoje, as empresas sociais e uma realidade e estão contribuindo no avanço social de muitos países!
A Empresa Econômica deve ter sua parcela de responsabilidade social. Como reconhecem os estudiosos da administração, uma sociedade doente não favorece a existência de uma empresa saudável. Isto mostra a importância da responsabilidade social para cada empresa.
A tendência mundial é que se invista cada vez mais na responsabilidade social. Contudo, quase não se observa no Maranhão, empresários conscientes de sua cidadania e que apoiam projetos educacionais, culturais, ambientais em suas cidades. É precisa despertar nesta questão e saber que o consumidor de hoje vem dando preferência, na hora de consumir, para as empresas que têm compromisso com a sociedade.
Muhammad Yunus da Bengladesh, prêmio Nobel da paz em 2006, coma criação do conceito do microcrédito, do banco popular (Grameen Bank), define em seus livros “um mundo sem pobreza” e “o banqueiro dos pobres” a empresa social como uma organização voltada para causas sociais. Os lucros são integralmente revertidos na melhoria de produtos e serviços com impacto social. No modelo das empresas sociais de Muhammad Yunus, as empresas são desenhadas para atender às necessidades fundamentais da sociedade. Como exemplo, Yunus criou uma empresa de celular que pretende chegar a um terço da população da Bangladesh. Ele criou também uma empresa de painéis solares e montou uma parceria com a multinacional Danone (Grameen Dadone Food) para produzir um iogurte fortalecido com vitaminas e sais minerais com preços acessíveis para combate à desnutrição. Todas essas empresas são, portanto focadas no social, sem busca de lucro e sem dividendos.
Observa-se hoje um grande número de organismos sem fins lucrativos gerando operações lucrativas: galerias de arte, etc. O desenvolvimento da empresa social permita de reduzir as dependências dos órgãos tradicionais de financiamento. Esses têm dificuldades de financiar empresas neste modelo social. O surgimento das empresas sociais permite também de garantir sustentabilidade financeira e de estimular a inovação além de oferecer serviços e produtos acessíveis ou gratuitos para as pessoas mais carentes.
Assim, a empresa social é um conceito que vem substituindo o de “economia solidária”. De qualquer forma, é muito importante para todos que as empresas sociais se espalham em grande número o que, certamente, levará a um mundo cada vez melhor. Isto nos fará refletir que o maior lucro é aquele que leva ao desenvolvimento, ao bem estar das pessoas e a uma melhor qualidade de vida para todos.
Aqui fica nosso apelo para uma maior preocupação e compreensão de nosso empresário quanto à sua responsabilidade social. Gostaríamos de ver, ou melhor, sonhamos de ver, o empresário maranhense investir, por exemplo, na implantação de um laboratório de pesquisa dentro da Ufma, da Uema ou do Ifma. Isto é muito comum em vários países do mundo. Isto é muito saudável e muito bom não só para toda sociedade como também para a própria empresa. Gostaríamos também de ver várias empresas sociais surgindo no Maranhão, pela importância, pela necessidade e por entendemos que o único caminho é o conhecimento e a produtividade e que as políticas assistenciais nunca deram certo nem no passado, nem no presente, em nenhum lugar do mundo.
O professor doutor Sofiane Labidi escreve para o Jornal Pequeno aos domingos