» Busca Avançada

Siga o Jornal Pequeno no Twitter
Home » Edições » 2011 » Abril » Edição 23,660 » Geral

GeralA CONTABILIDADE EM PROL DO MEIOAMBIENTE

Diminuir corpo de texto Aumentar corpo de texto
25 de abril de 2011 às 09:06

PALAVRA DE ESPECIALISTA

MANOEL RUBIM DA SILVA
Contador. Auditor Fisca l da Receita Federal do Brasil-aposentado. Professor do Decca-Ufma.
e-mail: manoel_rubim@uol.com.br


Inegavelmente, estamos testemunhando reações inusitadas e furiosas da natureza que causam enormes problemas sociais e econômicos, além de traumas, face às inundações, desmoronamentos, tsunamis e demais tipos catastróficos, que permeiam as manchetes da imprensa de um modo geral, que sempre foca as consequências e não as causas de tais comportamentos reativos da mãe natureza. Das "páginas" da revista eletrônica portuguesa "Confrontos: um olhar sobre nós o outro", extraio a seguinte constatação: Uma pátria comum numa lenta agonia. O diagnóstico está feito: O planeta terra está doente. O problema está na cura, não tem data marcada.

Do texto constante da citada revista, encimado pela constatação antes evidenciada, reproduzo alguns alertas para a humanidade: "Milhares de pessoas morrem diariamente à sede, mas também devido a problemas provocados pela ingestão de águas contaminadas. Cerca de 3 milhões de pessoas morreram em 2002 devido à contaminação do ar. A principal factura está a chegar: o aquecimento da atmosfera, provocado pela poluição. Promete ser profundamente devastadora; O planeta está a ficar sem florestas. Em África a situação é calamitosa. O grande pulmão da Humanidade que é a Amazônia está seriamente ameaçado. Pouco parece que tem servido os sucessivos alertas mundiais. O dinheiro fala mais alto. Os oceanos estão doentes. Os recursos marítimos estão em regressão. Inúmeras espécies estão em vias de extinção. Os motivos são sempre os mesmos: poluição, sobre-exploração pesqueira, etc. As necessidades de energia, sobretudo nos países mais desenvolvidos, não pára de aumentar. Este aumento tornou-se crucial para a sustentabilidade das suas economias, ameaçando incendiar o mundo. A mistura é explosiva: se ao aumento da temperatura do ar devido à poluição, juntarmos a desflorestação e o crescimento demográfico, temos um cenário devastador para o futuro da humanidade: calcula-se que cerca de 2 mil milhões de pessoas estarão em perigo de sobrevivência devido a inundações causadas por estes três factores conjugados."

Jared Diamond geógrafo norte-americano, autor de best-sellers como Armas, Germes e Aço, Colapso e o Terceiro Chimpanzé, em entrevista concedida à Regina Scharf e publicada na revista Planeta - Conheça o Mundo e Descubra Você, edição de abril de 2011, ao justificar os motivos do desaparecimento de certas civilizações, afirma: Quem maltrata o ambiente paga. As civilizações são derrotadas pela destruição dos recursos naturais, pela dificuldade de reagir diante de mudanças climáticas e pelas idiossincrasias políticas e culturais que as impedem de tornar as decisões certas. Aproxima-se a temporada junina nesta cidade, e me vem à mente, o clamor dos poetas-cantadores em prol da preservação da natureza, como as belas toadas dos meus amigos Chagas e Chiador, intituladas, respectivamente, "Não Mexa no Ambiente" e "Conserve o nosso Verde". Relembro um domingo lindo de 2005, quando sentado no terraço da "Casa da Cândida e do Ovídio", meus pais, olho e admiro o horizonte e começo a escrever em um pergaminho, para depois fazer constar do livro "Poesias Para Ovídio", lançado em uma noite memorável do dia 08/10/2005: "Manhã que desabrocha/percebo o vento soprar/respiro profundo e sinto/a vida vai continuar/olho para o céu e vejo/nuvens e nuvens a desenhar/ajudadas pelos ventos/formas geométricas no ar/seriam desígnios divinos/chego a me perguntar/ou são obras do acaso/respostas não tenho para dar/somente sei que é a natureza/ que insiste em se pronunciar/mesmo sem a certeza/que a sua linguagem o homem entenderá. Marquinhos, jovem poeta-cantador do "Boi Pesado da Maioba", emociona-me ao melodiar essa letra.

O que fazer para reduzir os impactos à natureza, decorrentes das nossas ações irracionais? Cada homem, cada mulher, cada criança deve ser conscientizada de tais nocivos impactos, e mais do que essa conscientização, deve agir, agir e agir contra as nossas aludidas ações irracionais, adotando providências, inclusive, em prol da reconstituição da natureza devastada. É o nosso Passivo Ambiental que nunca foi medido, pois o importante era aumentarmos os nossos ativos, especialmente os ativos materiais, ao tempo em que nos esquecíamos de que o maior e melhor Ativo da Humanidade é o Ativo Ambiental, assim como o Ativo Imaterial, que se diminuem na proporção em que crescem as agressões à natureza que implicam aumento do Passivo Ambiental. Por vias transversas, parece-me que o mundo corporativo está tomando ciência dessa realidade, pois, como consta de uma matéria intitulada "O MUNDO DEPOIS DO CARBONO", de autoria de Clarice Couto da Revista Negócios, edição de março de 2011: "Jovens empresas - e até cidades - que oferecem alternativas à economia do petróleo compõem o mais atrativo campo de negócios das próximas décadas".

Por falar em negócios, nem a "Linguagem Mundial dos Negócios", a Contabilidade, muito menos os Contadores, poderão ficar de fora desses debates e das soluções desses incomensuráveis problemas socioambientais, De há muito estudos e pesquisas estão sendo desenvolvidos visando contribuir para as soluções dos mesmos, tendo como marco recente, 1988, quando foi publicado o "Relatório Financeiro e Contábil sobre Passivos e Custos Ambientais preparado pelo Intergovernmental Working Group of Experts on International Standards of Accounting and Reporting (ISAR). Fiquei deveras alegre ao tomar conhecimento de uma reportagem publicada pela Revista Brasileira de Contabilidade, publicação do Conselho Federal de Contabilidade, CFC, edição de maio a junho de 2010: "As Ciências Contábeis inseridas na sustentabilidade; reportagem essa de autoria da minha amiga Rosangela Beckman (Coordenadora Administrativa da Câmara Técnica do CFC, que me emprestou a sua imensa colaboração, quando presidi a referida Câmara, por dois anos, 1996 e 1997) e Dandara Lima, com a colaboração de Fabrício Santos e Maria do Carmo Nóbrega. Na referida reportagem, constam entrevistas das professoras, pesquisadoras e autoras Gardênia Maria Braga, UFPI, Maísa de Souza Ribeiro (USP) e Aracéli Cristina de Souza Ferreira, (UFRJ), que traçam os caminhos dos estudos e pesquisas sobre o assunto, neste país e no mundo, comentando, inclusive, os conteúdos dos livros publicados sobre Contabilidade Ambiental. São, entre vários, mais um campo de estudos e pesquisas, assim como de especialização profissional, que se oferece aos estudiosos da Ciência Social, que se apresenta, há milênios, com o nome de Contabilidade. Hoje, dia 25 de abril, "Dia do Contabilista", homenageio todos os que estudam, pesquisam, ensinam e exercem a profissão contábil, nos seus vários segmentos, reverenciando a saga de muitos Contadores, como os saudosos: Waldemar da Silva Carvalho, Meraldo de Jesus Araújo, Militino Rodrigues Martinez, Ivan Carlos Gatti, Hilário Franco, Ynel Alves de Camargo, Olívio Koliver e A. Lopes de Sá. São perdas irreparáveis, "sem alocação pela Contabilidade", todavia, fincadas em nossos corações e mentes.

Links Patrocinados

ImprimirRecomendar
Processada em 0.469s