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Artigos2012: Flávio Dino na berlinda

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Por: Nonato Reis Data de Publicação: 1 de janeiro de 2012

Janeiro chegou abrindo as portas de um ano carregado de simbolismo. Não apenas em função da marca histórica dos 400 anos, mas também pelo feixe de possibilidades que pode imprimir no tecido político da capital e também do Estado. Há um entendimento de que 2012 se estende como uma ponte para 2014, pela forte conexão entre ambos. Assim o caminho que se pavimentou até aqui pode ser uma mera continuidade. Ou servir de plataforma para o futuro.

Não é por menos que Flávio Dino, hoje assentado no vértice de 2012, parece disposto a afastar as nuvens espessas do seu horizonte mais próximo e a se debruçar sobre a sucessão de São Luís com determinação. Duas reuniões entre lideranças do campo das oposições, realizadas no dia 16 de dezembro, uma na Assembléia Legislativa, e outra na casa do deputado Marcelo Tavares, serviram para clarear o ambiente e jogar pressão sobre o comunista.

Dos encontros fizeram parte os deputados Bira do Pindaré (PT), Rubens Pereira Júnior (PCdoB) e Marcelo Tavares (PSB) e Flávio Dino (PCdoB). O ex-deputado federal Roberto Rocha (PSB) esteve presente apenas no evento da Assembléia. Prevaleceu o entendimento de que a oposição precisa lançar um nome de peso, se quiser sonhar, objetivamente, com a prefeitura de São Luís. Não que Castelo seja imbatível. Não é. Mas exige concorrente qualificado.

O grupo fez ver a Flávio Dino que, na disputa com Castelo, ele é o curinga. Mais que isso: trata-se do único nome que pode aglutinar os descontentes à esquerda do prefeito. E que quanto mais ele protelar a decisão de concorrer dará combustível para que a oposição se fragilize, numa diáspora que pode oferecer musculatura a Castelo e também ao grupo de Roseana.

Houve até quem sugerisse o lançamento da candidatura logo em janeiro, para prevenir o processo de deserção e também evitar que outros nomes do grupo se lancem. Prevaleceu, no entanto, a tese de esperar o cenário se decantar até março, quando, aí sim, o comunista se apresentaria para o eleitor com pompa e circunstância.

Há, porém, uma nota dissonante. O grupo alinhado a Flávio Dino não é um todo harmônico. Nas reuniões do dia 16, deixaram de comparecer, por vontade própria ou por falta de convite, lideranças como Eliziane Gama (PPS), Edivaldo Holanda Junior (PTC) e o próprio Tadeu Palácio (PP). Ficou a impressão, ainda que falsa, de que há um núcleo em torno do comunista, que dá as cartas e planeja, enquanto os demais seguem, ou fingem seguir o traçado. Num contexto dominado pela disputa de egos, essa é uma atmosfera perigosa.

No plano de possibilidades, a leitura corrente é de que o prefeito João Castelo melhorou a sua performance, com o projeto de recuperação urbana. Mas não ao ponto de sacramentar a reeleição. Longe do que foi prometido, a operação plástica nas ruas e avenidas assumiu o formato de um remendo. Cerca de quatro meses após o lançamento do trabalho, apenas a avenida Daniel de La Touche teve a sua recuperação concluída, o que projeta no ar o cheiro de fracasso.

A política é a arte do, aparentemente, imponderável, tal a sua natureza dinâmica. Mas hoje, há de nove meses das eleições, pode-se divisar alguns pontos já delineados. O primeiro, cristalizado desde 2008, com a definição das eleições daquele ano: o de que o prefeito é um dos protagonistas de 2012. O segundo, também originado a partir daquele pleito: o de que Flávio Dino está inscrito no outro pólo da sucessão.

Pode até surgir uma terceira via, por conta de Max Barros, que permanece incógnita; e de Edivaldo Holanda Junior, que tem fôlego para embolar o meio de campo. Mas isso está muito mais ligado aos movimentos de Dino do que à própria mecânica do processo.

Como se observa, o pêndulo da sucessão está apontado em Flávio Dino. Para onde ele for, provoca alterações profundas no ambiente político. Mas o momento é de tomar atitudes. Porque se ele se demorar na inércia, abre espaço para cindir a oposição, transformando-a em um cinturão de asteróides, parte se alinhando a Castelo, e outra parte rumando para direções diversas, inclusive a caminho de Roseana. E não há nenhuma garantia de que tais fragmentos retomem o seu ponto de origem na perspectiva de 2014. Como reza a lenda indígena, chegou a hora de a onça beber água.

Nonato Reis é jornalista e escreve para o Jornal Pequeno aos domingos, quinzenalmente

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