Obras inacabadas no Caratatiua continuam causando transtornosServiços foram iniciados durante a gestão de Ricardo Murad na extinta Gerência Metropolitana
POR JULLY CAMILO
Os moradores da Travessa do Babaçu, no Bairro do Caratatiua, esperam há quase sete anos pela conclusão das obras de esgoto, infraestrutura e revitalização da área, iniciada pelo então gerente metropolitano, Ricardo Murad, mas que nunca se concretizou. Segundo os populares, antes da ‘obras de devastação’ a situação era bem melhor, uma vez que era possível trafegar pela rua que era asfaltada e separada por um corrimão nas laterais, ligando o Caratatiua ao João Paulo, Alemanha, Ipase, entre outros.
Segundo o comerciante Francisco de Assis Ericeira, residente no bairro há 27 anos, Ricardo Murad, na época, passeou pelas ruas da comunidade e prometeu arborização, tratamento de esgoto, pavimentação, tudo resumido a um megaprojeto que transformaria a imagem do lugar. Porém, ele explicou que crateras foram abertas, o asfalto foi arrancado e hoje a única coisa que se vê é lixo, buracos e enormes tubulações expostas. “Da forma que estava, era muito melhor. Apesar de termos uma vala aberta anteriormente, mas tínhamos o corrimão nas laterais e as ruas eram asfaltadas, com possibilidade de trafego, hoje isso não é mais possível. Minhas vendas caíram consideravelmente, pois as vias desta área estão intrafegáveis, há buracos e esgotos estourados por todos os lados. Só eu já caí duas vezes aqui, mas carros já quebraram, crianças e idosos se acidentaram”, disse.
O vendedor André Martins, morador do bairro há mais de 20 anos, afirmou que as manilhas eram para serem colocadas em toda a rua, até o escoamento do esgoto no Rio Bacanga, mas colocaram apenas na Travessa do Babaçu. Ele relatou que elas estão entupidas e quando chove o lixo que fica acumulado em volta desce para as ruas. “As portas das residências ficam imundas por conta dos resíduos que escorrem até lá. A coleta semanal ameniza, mas não resolve o problema. O ônibus da linha Caratatiua não passa mais na Travessa, nós temos que caminhar quase 30 metros até a parada mais próxima”, declarou.

Os moradores disseram que a Travessa deveria ligar o Caratatiua à Alemanha, João Paulo, Ipase, Camboa, entre outros, desafogando assim o trânsito, mas acreditam que foram esquecidos pelo poder público, uma vez que nenhuma providência nunca foi tomada. Eles afirmaram ainda que quando o carro de lixo não passa vem um trator que acaba tirando também a areia e barro do solo, provocando assoreamento e desnivelamento do terreno, que está irregular em relação ao nível do asfalto na avenida principal e isso acaba prejudicando a passagem de veículos.
Segundo os moradores, em 2003, foi noticiado na imprensa que o Canal do Caratatiua seria urbanizado e que o valor da obra estaria orçado em R$ 150 mil, beneficiando os bairros da Ivar Saldanha, Jordoa, João Paulo, Alemanha e áreas vizinhas. A obra seria realizada pela então Gerência Metropolitana e o prazo de conclusão seria no final do respectivo ano, garantia dada pelo gerente Ricardo Murad, que além de conversar com as pessoas teria percorrido todo o canal. As intervenções incluíam a elevação da proteção lateral da calçada, que evitaria o tráfego de veículos sobre ela, além da instalação de lixeiras e bancos, para que os moradores dispusessem de um local arejado, higiênico e esteticamente adequado para as tradicionais conversas de fim de tarde.
Outro lado – A equipe de reportagem do Jornal Pequeno procurou a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), responsável entre outros atributos em auxiliar as demais secretarias no que diz respeito a saneamento básico e urbanização, além da manutenção e recuperação da malha viária, com o objetivo de garantir o fluxo da economia por todo o Estado. Porém, sua assessoria informou que a Sinfra não era responsável pela obra, uma vez que com a extinção da antiga Gerência as responsabilidades foram delegadas entre as secretarias, e a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) poderia ter ficado com a administração da questão. Mas, a Caema afirmou, também por meio de sua assessoria, que a responsabilidade pela obra não seria dela e sim do PAC.