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ArtigosBalaiada, uma história viva

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Por: Flávio Dino Data de Publicação: 22 de julho de 2009 às 08:13

Entre os anos de 1838 e 1841 o Maranhão viveu um dos períodos mais importantes de sua história de luta pela liberdade, com a Guerra da Balaiada, revolta popular liderada por Manuel Francisco dos Anjos Ferreira (fazedor de balaios, daí a origem do nome dado ao movimento), Cosme Bento das Chagas (chefe de um quilombo que reunia aproximadamente três mil negros livres) e Raimundo Gomes (vaqueiro), que bateram de frente contra o Poder constituído à época.

A Balaiada caracterizou-se por um conjunto de lutas dos sertanejos contra os poderosos e se distingue de outras revoltas que eclodiram no período por ter sido um movimento eminentemente popular contra os grandes proprietários agrários da região.

Naquela época, a economia agrária do Maranhão atravessava um período de grande crise. O algodão, principal riqueza produzida na província, sofria forte concorrência do mercado internacional, perdendo, dessa forma, preço e compradores no mercado externo. A crise do algodão, como ficou conhecida, atingiu, principalmente, os camponeses, vaqueiros, sertanejos e escravos. Diante de um quadro marcado fortemente pela fome, miséria, maus tratos, camadas populares descontentes com as injustiças sociais iniciaram a grande revolta.

A mobilização ganhou força e os balaios logo conquistaram, em 1839, a cidade de Caxias, uma das mais importantes do Maranhão. Como consequência, organizaram um governo provisório que adotou algumas medidas de grande repercussão política, como a expulsão dos portugueses residentes na cidade.

A Balaiada integra um expressivo acervo de movimentos populares e nacionais, presentes desde o início da ocupação do território pelos colonizadores portugueses. No Maranhão mesmo, tivemos a Revolta de Beckman, no fim do século 17. Em outras partes do Brasil, também merecem destaque a Inconfidência Mineira, a Revolta dos Alfaiates, a Revolução Pernambucana, a Cabanagem e a Revolução Farroupilha. Essas referências são bastante úteis para a superação de análises conservadoras segundo as quais os brasileiros seriam "acomodados" e sem tradição patriótica e de luta. Ao contrário, ao longo da nossa história produzimos líderes de grande importância, como Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Frei Caneca, Garibaldi e Luís Carlos Prestes (o Cavaleiro da Esperança).

Todas essas lembranças me vieram quando fui ao lançamento,  171 anos após o movimento, do álbum em quadrinhos "Balaiada - a Guerra do Maranhão". Uma publicação em co-autoria de Iramir Araújo, Ronilson Freire e Beto Nicácio, maranhenses talentosos e com sensibilidade social, cuja produção de alta qualidade incentiva a todos, em especial a juventude, a despertar para conhecer a história e cultura maranhenses. A narrativa em quadrinhos de um dos principais eventos da história do Brasil leva o leitor a perceber, sob os diversos ângulos, a Balaiada, a qual pôs em xeque o Império brasileiro e os estamentos dominantes no século 19.

Uma das facetas da publicação é o enfoque sobre os líderes do movimento. Personagens como Raimundo Gomes, o vaqueiro, Francisco dos Anjos, o Balaio, e o Negro Cosme, foram ao longo do tempo colocados na condição de vilões da história do Maranhão. O álbum ajuda a reconstruir essas imagens, elevando o senso crítico dos leitores em relação à história brasileira. Além de possibilitar uma viagem ao tempo, A Guerra dos Balaios revela um dado a ser superado pelo poder público local: a pouca referência iconográfica, à disposição no Maranhão, acerca de tão importante fato histórico de nosso estado.

Diante da dificuldade de pesquisa, que requer uma publicação do nível do álbum "Balaiada - a Guerra do Maranhão", os seus autores, conforme relatos, tiveram que reconstituir historicamente todo o cenário nos idos de 1838. Quase não há obras como gravuras, ilustrações ou pinturas produzidas no Maranhão que façam referência ao tema, o que exigiu esforço redobrado dos autores.

Com a publicação de 80 páginas, a Balaiada recebe o merecido e honroso tratamento fruto de um árduo trabalho de pesquisa de Iramir Araújo, Beto Nicácio e Ronilson Freire, estes dois últimos responsáveis pelas ilustrações carregadas de ação e detalhes.  Esse trabalho possibilitará que a nossa e futuras gerações possam ter um reencontro com a verdadeira história de nosso povo revivida em quadrinhos. Que permaneça sempre viva.

O deputado federal Flávio Dino escreve para o Jornal Pequeno às quartas-feiras

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