Almonde não é única offshore nos negócios do clã SarneyDe acordo com um procurador da República consultado pelo Jornal Pequeno, cabe ao Ministério Público Federal (MPF) ou à Polícia Federal (Divisão de Repressão a Crimes Financeiros - DFIN) investigar a constituição de empresas offshores em paraísos fiscais (como é o caso da Almonde Securities S.A.), desde que haja indícios de ocorrência de ilícitos. O procedimento seria o MPF ou a PF enviar uma carta rogatória ao governo do país em que foi criada a offshore - o Panamá, no caso da Almonde -, pedindo a identificação dos donos da empresa. Estes podem ser apenas "laranjas", caso a offshore tenha sido aberta exclusivamente com a intenção de "esconder" uma transação espúria.
Offshores no ‘caso Lunus’ - Não é a primeira vez que integrantes do clã Sarney se vêem envolvidos com as tais offshores. Elas também surgiram durante a busca e apreensão realizada pela Polícia Federal no escritório da A.C. Rebouças & Consultores, em São Luís, no segundo semestre de 2001.
Segundo a PF, a A.C. Rebouças era a "lavanderia" de dinheiro dos negócios escusos do casal Jorge Murad/Roseana Sarney, donos da Lunus, onde em 1º de março de 2002 seria encontrada pela PF a dinheirama até hoje inexplicada de R$ 1,34 milhão.
As offshores criadas pela A.C. Rebouças, seis no total, tinham sede nas Ilhas Virgens e no Uruguai, mas seus fundos - assim como os da Almonde Securities, do "caso do castelo do Sarney" - eram administrados na Suíça. Todas estavam em nome de "laranjas" de Aldenor Cunha Rebouças, proprietário da A.C. Rebouças, que tinha relação de amizade com a família Murad.
‘Esquema Fernando Sarney’ - O inquérito da Polícia Federal que apurou a atuação da organização criminosa chefiada, segundo a PF, por Fernando Sarney (superintendente do Sistema Mirante), também concluiu que o esquema ilícito fugia do Fisco por meio de empresas offshores instaladas em "paraísos fiscais".
O empresário Gianfranco Perasso (membro ativo do "esquema Fernando Sarney", segundo a PF) teve um e-mail interceptado no qual faz referência a um pagamento de 26,6 mil dólares feito à empresa Morgan & Morgan, com sede no Panamá. A M&M é um escritório especializado em gerenciar empresas terceirizadas que atuam em outros países (offshores), particularmente em "paraísos fiscais".
Relata a PF, na página 66 de seu relatório: "A referida empresa (www.morimor.com) (...), com sedes em vários 'paraísos fiscais', atua como blindagem patrimonial e constituição de sociedades fiduciárias. Apresenta-se, portanto, um indício veemente da constituição de empresas no exterior, possivelmente offshores".
Perasso também teve interceptado pela PF um e-mail em que trata de um depósito feito no banco Credit Suisse, localizado em Nassau, nas Bahamas, notório abrigo de empresas que querem evitar impostos.
Para a PF, não há dúvida de que boa parte do dinheiro apurado nas atividades ilícitas do grupo chefiado por Fernando Sarney saiu do país. Eventualmente, parte desse dinheiro era retirada para pagamento a colaboradores do esquema ou outros fins.
Em 4 de julho de 2008, por exemplo, a PF "grampeou" - no decorrer da operação denominada "Boi Barrica" - uma conversa por telefone entre Fernando Sarney e Gianfranco Perasso, na qual o superintendente da Mirante dá a entender que precisa levantar uma grande quantidade de dinheiro para pagamento a colaboradores. Faz referência a "dois americanos". Para a PF, seriam dois milhões de dólares e só poderiam vir das offshores do grupo.
(OV)
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