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PolíticaJarbas prepara discurso sobre 'corrupção na política'

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26 de fevereiro de 2009

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) parece mesmo decidido a tornar-se um personagem incômodo no Congresso. Para evitar que o alarido das baterias amorteça as declarações que sacudiram Brasília na fase pré-carnavalesca, o senador decidiu subir à tribuna do Senado.

Prepara um discurso azedo. Pretende detalhar as perversões que desvirtuam a ação dos partidos políticos. Práticas que arranhou em entrevista veiculada há dez dias.

Foto: Fábio Pozzebom/ABr

Jarbas Vasconcelos: corrupção será tratada na tribuna

Para Jarbas, não se deve permitir que o Carnaval funcione como anestésico contra um debate que considera "urgente e inevitável". O senador trata a corrupção como "um tumor", que precisa ser "lancetado". No discurso, pretende ultrapassar as fronteiras do PMDB.

Vai mencionar, por exemplo, um flagelo que infelicita os governos estaduais e também o federal: o assédio dos partidos às arcas do Estado. "Por que determinados partidos procuram governadores e presidentes da República para pedir espaço em diretorias financeiras de estatais?", pergunta Jarbas.

"Qual é a explicação lógica, a justificativa racional para que um partido como PMDB reivindique o comando e diretorias financeiras de uma estatal como Furnas?"

A resposta às questões que o senador vai levantar, por óbvia, é conhecida até dos mármores que forram o prédio do Senado. Os políticos acercam-se dos cofres das estatais para desviar verbas públicas. Em português claro: para roubar.

Jarbas conhece o problema de perto. Conta que, à época em que governou Pernambuco, legendas que o apoiavam apresentaram demandas do gênero. Diz ter resistido: "Jamais admiti entregar estatal a partido político. Minas escolhas sempre recaíram sobre nomes técnicos".

Dirá no discurso que o Congresso deveria aprovar uma lei que impusesse pela força o que muitos governantes deixam de fazer por bom senso. "Deveríamos ter uma norma consagrando o entendimento de que diretoria financeira de estatal - pequena, média ou grande - nunca pode ir para partido político".

Acusado pelo PMDB de produzir acusações "genéricas", Jarbas dá de ombros. Diz que não é "auditor". Acrescenta:

"Não estou atrás de nomes para dar. Meu interesse é o de combater práticas danosas, extirpar do meio político os usos e os costumes perniciosos".

Afora o discurso, o senador articula com os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) a constituição de um grupo suprapartidário anticorrupção. A trinca organiza para a semana que vem um encontro no qual a ação do grupo será esboçada.

Mal acomodado nos quadros do PMDB, Jarbas vai ao encontro com uma preocupação: "Essa reunião não pode ser confundida como o embrião de um novo partido. Isso pode até surgir mais à frente, não nessa fase (...) Agora, todo o nosso esforço deve se voltar para o combate à corrupção e às práticas políticas nocivas (...) É preciso desnudar diante dos olhos da nação esse esquema nefasto dos partidos para alcançar os cofres do Estado".

(blog do Josias de Souza)

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