Diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) afastado, o delegado da Polícia Federal Paulo Lacerda acha que foi decisiva para sua saída do cargo a intervenção do ministro Nelson Jobim (Defesa) na reunião de coordenação do governo, na última segunda-feira, ao dizer que a agência havia comprado maletas capazes de fazer escutas telefônicas e que, portanto, poderia ter sido efetivamente responsável por grampear o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.
Desde que deixou o cargo, Lacerda tem negado que as maletas adquiridas pela Abin sejam capazes de reproduzir conversas telefônicas, como afirmou Jobim na reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Disse que se trata de um equipamento defensivo, do mesmo tipo adquirido por outros órgãos, cujo objetivo é detectar apenas se existem grampos telefônicos ou ambientais em um determinado local. Chama-se Oscor 5.000.
Quando leu a reportagem publicada pela revista “Veja”, que atribui a um servidor da Abin um grampo que flagrou uma conversa entre Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o primeiro ímpeto de Lacerda foi deixar o cargo na manhã da segunda-feira. Não fez isso porque avaliou que seria assinar um recibo de culpa para a agência. Apostou na investigação que a Polícia Federal fará do caso.
Quando esteve na CPI dos Grampos, ao ser questionado sobre reportagens acerca de grampos ilegais atribuídos pela “Veja” à Abin, Lacerda afirmou que, nestes casos, o mais importante é avaliar quem seriam os interessados em desqualificar uma investigação. Falava da Operação Satiagraha, que levou à cadeia o banqueiro Daniel Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.
(Folha Online)