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NacionalClima de ameaça marca campanha em Tailândia

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14 de setembro de 2008
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LÍDER DA DEVASTAÇÃO

Alvo da Operação Arco de Fogo da Polícia Federal no início deste ano, contra a exploração ilegal de madeira, o empresário Gilberto Miguel Sufredini, 55, o “Gilbertinho” (PTB), é a esperança dos madeireiros para manter o poder nas eleições em Tailândia (PA), como indicam placas de campanha, com fotos e nome dele, nas entradas das madeireiras do município.

Tailândia é líder na extração de madeira no Brasil. Segundo dados do IBGE, em 2006 foi extraído 1,4 milhão de metros cúbicos de toras, volume avaliado em R$ 67,2 milhões.

A ameaça mais visível aos planos dos madeireiros é um jovem de 23 anos, João Paulo Vasconcelos (PRP). Sua campanha tem maior visibilidade porque usa ônibus, trio elétrico, carros de som e até um marqueteiro. Ele prega o fim das madeireiras ilegais.

O prefeito ‘Macarrão’ é um dos líderes dos madeireiros

O prefeito Paulo Liberte Jasper (sem partido), o Macarrão, que é madeireiro, apóia Gilbertinho. Também madeireiro, o secretário municipal do Meio Ambiente, Josefran da Silva Almeida, 41, o Frank, foi nomeado para o cargo em maio, após a Operação Arco de Fogo.

Essa ação da PF tem sido tema da eleição, pois houve até levante de moradores contra a polícia. O confronto começou quando um grupo se insurgiu contra a retirada da madeira apreendida nas empresas. A PF diz ter encontrado 13 mil metros cúbicos de madeira ilegal em Tailândia, incluindo na empresa de Gilbertinho.

Frank diz que os empresários querem trabalhar legalmente, mas esbarram na burocracia para aprovar os planos de manejo para corte das árvores.

A reportagem esteve na empresa de Gilbertinho, mas não conseguiu falar com ele. A informação era de que ele estaria ocupado até o dia seguinte.

Falar com Macarrão também não foi possível. Em dia de expediente, informaram que o prefeito não estava. Na casa do prefeito disseram que ele estava viajando. Ao voltar da casa para a cidade, fazendo fotos de madeireiras ao longo da rodovia PA-150, a reportagem foi seguida por uma caminhonete.

Esse episódio pode ser incluído no clima de insegurança da campanha em Tailândia, diz o jornalista Joaquim Campos, marqueteiro de Vasconcelos.

Uma das primeiras coisas que Campos diz, sem mais nem menos, é: “Eu ando com segurança”. Na entrevista, João Paulo afirma que vê na agricultura familiar e na qualificação de mão-de-obra uma alternativa para a extração de madeira. “Enfrento a máquina da prefeitura e a elite dos madeireiros.”

Vasconcelos adverte a reportagem de que Tailândia é uma cidade “muito violenta”. Também candidato, o madeireiro Melquisedec Cruz Gonçalves, 39, o “Melqui” (PMDB), não quis conceder entrevista.

(Hudson Corrêa, da Folha de S. Paulo)

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