Em nota divulgada ontem, o Ministério da Defesa afirma que o Exército negou participação na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
Segundo reportagem da revista “Época”, o delegado Protógenes Queiroz, ex-coordenador da operação, decidiu apurar uma suspeita que apareceu nas investigações e ficou registrada em grampos telefônicos: a contratação de um oficial do Exército que foi trabalhar no grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.
A reportagem informa que, convencido de que não se tratava de uma simples contratação de profissionais, mas de uma forma de aliciamento, Protógenes pediu apoio ao próprio comandante do Exército, general Enzo Peri, para que confirmasse algumas informações sobre o oficial. Ele também teria feitos contatos nos serviços reservados da Marinha e da Aeronáutica.
Aos primeiros, teria pedido ajuda para identificar e localizar três veleiros de propriedade de Dantas –informação que acabou sendo fornecida pelo próprio banqueiro, ao ser preso: dois barcos estavam ao mar em Salvador e o terceiro em Trinidad e Tobago. Na Aeronáutica, ele teria pedido, segundo a revista, a localização de aviões de uso exclusivo. A inteligência da Aeronáutica teria produzido um relatório que apontava para quatro aviões. Leia a íntegra da nota do Ministério da Defesa:
“O Ministério da Defesa, após ouvir o Comando do Exército, esclarece que é falsa a afirmação contida em reportagem da revista ‘Época’ dessa semana, segundo a qual o Exército teria participado da Operação Satiagraha. Os esclarecimentos dados pelo Exército, tanto à revista quanto a outros órgãos de imprensa, que abordaram anteriormente o assunto, mostram que as Forças investigaram na verdade uma denúncia contra um suposto militar do Exército.
A denúncia, que mostrou-se infundada, fora feita pelo delegado Protógenes Queiroz e apontava para supostas atividades externas que estariam sendo exercidas irregularmente por um suposto oficial do Exército.
A apuração mostrou que o investigado não pertencia aos quadros do Exército, pois havia desistido da carreira militar após formar-se no Instituto Militar de Engenharia. Desde então, portanto, aquele ex-aluno não tinha qualquer vínculo com a Força. José Ramos (assessor de Comunicação do Ministério da Defesa).”
(Folha de S. Paulo)