Brasília – O presidente em exercício José Alencar sancionou na noite de ontem, com vetos, o projeto de lei que blinda escritórios de advocacia em investigações policiais no cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão. Ele acatou o parecer do Ministério da Justiça que sugeria o veto a dois parágrafos da proposta.
Alencar vetou os parágrafos do projeto: 5º e 8º que tratam sobre os direitos do advogado, da inviolabilidade de seu escritório e de seus instrumentos de trabalho.
O parágrafo 5º definia o que são instrumentos de trabalho dos advogados protegidos pela inviolabilidade, como computadores, telefones, arquivos impressos e digitais. O parecer do ministério destacava que essa definição é alargada além do necessário, incluindo "documentos, objetos e mídias de som ou imagem, recebidos de clientes ou de terceiros".
Já o parágrafo 8º previa que a investigação se estendesse apenas aos instrumentos de trabalho privativos do advogado. Não atingiria, portanto, outros advogados empregados da empresa ou membros da sociedade.
O governo vetou o parágrafo para que não seja impedida a busca de provas intencionalmente ocultadas em escritórios, ou até mesmo propositalmente estocadas em ambiente ou máquina utilizados por mais de um advogado.
Alencar sancionou o projeto porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em viagem oficial à China para acompanhar amanhã a abertura da Olimpíada de Pequim.
Há 15 dias, durante reunião de coordenação política, o presidente recebeu apelo de vários ministros para vetar o projeto integralmente. No último dia 25 de julho, em Lisboa, Lula criticou publicamente o projeto informando que todos deveriam ser tratados da mesma forma perante a lei.
"Acho que a lei no Brasil vale para todos, portanto, se ela vale para o presidente da República, vale para um jornalista, ela tem que valer para a OAB também", disse Lula em entrevista concedida na Embaixada do Brasil em Lisboa.
Ontem, no Rio de Janeiro, o ministro Tarso Genro (Justiça) confirmou a sanção da proposta e ressaltou que os vetos estão de acordo com o que defendia o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cézar Britto.
"Quero anunciar a sanção dos fundamentos do projeto aprovado pela Câmara e Senado que reforça as prerrogativas dos advogados. Fizemos dois vetos que não tiram a centralidade da reivindicação da OAB", afirmou Tarso.