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Beira-Mar e Abadía se uniram para achacar juízes, afirma PF

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Data de Publicação: 6 de agosto de 2008
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Os dois narcotraficantes presos no país, o brasileiro Luiz Fernando da Costa, 41 anos, o Fernandinho Beira-Mar, e o colombiano Juan Carlos Abadía, 45, se uniram dentro de um presídio federal para extorquir dinheiro mediante seqüestro de autoridades, atacar a unidade e fazer emboscadas durante transferências de presos, segundo a Polícia Federal e o diretor do Sistema Penitenciário Federal, Wilson Damázio.

A PF anunciou ontem ter desarticulado a organização – que ainda não teria atuado – durante a Operação X. O principal alvo do grupo, afirma a polícia, seriam membros do Judiciário. Os nomes das eventuais vítimas não foram revelados.

Foram expedidos oito mandados de busca e apreensão, sendo que quatro das oito pessoas já estavam presas, como Abadía e Beira-Mar, que estavam na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), de segurança máxima. Eles foram transferidos para a sede da PF em Campo Grande.

Entre os quatro presos ontem estão o advogado Vladimir Búlgaro, detido em São Paulo, e Ivana Pereira de Sá, 43, ex-mulher de Fernandinho Beira-Mar presa quando chegava para visitá-lo na penitenciária de Campo Grande.

Os demais presos são José Reinaldo Girotti, 37, e João Paulo Barbosa, 27, que também estavam detidos no presídio de Campo Grande. Leandro Oliveira Oliveira dos Santos, 18, e Leonice de Oliveira, 35, foram presos em Andradina (MS).

Segundo a PF, os oito são acusados de formação de quadrilha e ficarão na sede da PF na capital de Mato Grosso do Sul. A investigação, iniciada há alguns meses, foi conduzida pela Diretoria de Inteligência da Polícia Federal.

Sem revelar detalhes sobre as investigações, o diretor do Sistema Penitenciário Federal, Wilson Damázio, disse que o setor de inteligência do presídio havia identificado três objetivos principais da quadrilha.

“O primeiro ponto eram ataques coordenados à unidade, como o que ocorreu em abril. Depois estavam previstas emboscadas a comboios durante transferência de presos. Por fim, haveria tentativas de extorsão [de dinheiro], mediante seqüestro de autoridades”.

Considerada a mais segura do país, a Penitenciária Federal de Campo Grande abriga cerca de 160 presos. Em 13 de abril, a unidade foi atacada a tiros por um grupo armado. Os agentes que estavam de plantão reagiram e houve tiroteio durante cerca 15 minutos. Granadas e bombas de efeito moral foram usados pelos agentes. Os agressores fugiram sem causar grandes danos ou deixar feridos, mas, para a administração da unidade, o ataque teria sido apenas um “teste de força”.

Advogado – O advogado Luiz Bataglin, que representa Beira-Mar e Abadía, se disse segunda-feira surpreso com a operação da PF. Afirmou que, por não conhecer o teor da acusação contra seus clientes, recomendou que ambos exercessem o “direito ao silêncio” em depoimentos à PF.

Bataglin disse considerar “sem sentido” uma eventual participação de Abadía em um esquema de seqüestros e extorsão. “Ele já disse que prefere cumprir pena nos EUA e está com a extradição autorizada. Participar de algo assim neste momento não tem lógica”.

Sobre Beira-Mar, o advogado disse que ele nunca comentou sobre a suposta articulação. Mas ressalvou: “É claro que a gente sempre pode se surpreender”.

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