Flávio Dino
A realização dos 29º Jogos Olímpicos na China, que começam essa semana e vão até o final do mês, está chamando a atenção do mundo para esse que é o mais populoso país, com 1,3 bilhão de habitantes. Somente na capital, Pequim, que sediará as principais cerimônias e a maior parte dos jogos, são 11 milhões de moradores. É um contingente impressionante e de crescimento incessante num contexto de busca do equilíbrio entre as suas tradições milenares e os desafios impostos pelo século 21.
A economia chinesa é hoje uma das mais fortes do mundo. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 10,1% no segundo trimestre de 2008, em comparação ao mesmo período do ano passado, sendo que no trimestre anterior já havia aumentado 10,6%. Há dez trimestres consecutivos que a taxa de crescimento vem sendo de dois dígitos. Para se ter idéia, o PIB brasileiro cresceu a metade - 5,8% - no primeiro trimestre do ano e também nos quatro anteriores, um recorde para nossos padrões. Um dos fatores centrais nessa boa performance é o consumo privado: somente as vendas no varejo aumentaram 23% em junho em relação ao mesmo mês de 2007, média que vem se mantendo nos últimos anos.
No ano seguinte à sua entrada no mercado global, oficializada no final de 2001, atraiu a bagatela de US$ 52,7 bilhões, superando os Estados Unidos como o país que recebeu mais investimentos do exterior. Essa entrada de investimento estrangeiro direto continua em expansão. No primeiro semestre, eles cresceram 45,6% sobre 2007, o que significou US$ 52,4 bilhões a mais nas contas chinesas. O aumento foi creditado ao robusto crescimento econômico do país, à valorização do Yuan sobre o dólar – 6,5% em apenas seis meses - e à desaceleração da economia norte-americana.
Além disso, o bom desempenho das empresas na China e o aumento de valor nos salários mínimos de seus empregados elevaram a média salarial anual nas cidades em 18,72%, a maior alta nos últimos seis anos. Agora, um operário chinês ganha em média 25 mil Yuanes (US$ 3.561) por ano. Isso foi possível porque as maiores estatais chinesas obtiveram lucros de mais de US$ 327,6 bilhões em 2007, num crescimento de 36,7% sobre o ano anterior. Ao mesmo tempo, as companhias privadas experimentaram ganhos 50,9% maiores no período.
A maior circulação de dinheiro pode ser constatada também por meio das vendas de celular. A China tem hoje mais de 574 milhões de usuários, a maior concentração do planeta, e deve ser, em 2011, o país com o maior acesso a redes bancárias e informações financeiras (como investimentos e bolsa de valores) via celular. Também já é líder mundial no número de usuários de internet, tendo superado a marca dos 233 milhões em março. Numa comparação básica, nós, no Brasil, temos apenas 39 milhões de internautas.
De outro lado, a China importou de outros países US$ 567,5 bilhões, 30,6% a mais do que no primeiro semestre do ano passado. Tamanha saúde e potencial despertaram o governo brasileiro, que em junho se uniu com empresários do Conselho Empresarial Brasil-China e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para elaborar o plano estratégico “Agenda China”, visando elevar e diversificar as exportações para o gigante asiático. A meta geral traçada por essa força-tarefa de 35 pessoas é triplicar as vendas atuais do Brasil para o país até 2010, atingindo os US$ 30 bilhões. Os técnicos cruzaram as pautas de exportação do Brasil e importação da China e identificaram 619 produtos que os brasileiros podem vender aos chineses, os quais correspondem a 67% das compras totais da China no exterior.
Também começamos a incursionar no cobiçado mercado de turismo chinês, a partir de uma visita oficial da então ministra do Turismo, Marta Suplicy, ao país. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), a China deve se tornar o quarto maior emissor de turistas do mundo em 2020. Mostrou sua força ao pular de 9 milhões de turistas em 1999 para 34,5 milhões em 2006 e a Embratur até já editou um guia de nossos principais destinos em mandarim para atender ao público chinês.
Em suma, o país que hoje é o nosso segundo maior fornecedor nas importações, vive um momento único em que ainda há muito espaço a ser explorado por nossa indústria e serviços.
O deputado federal Flávio Dino escreve para o Jornal Pequeno às quartas-feiras.