A passarela do rio das Bicas, localizada ao longo da avenida dos Africanos, no bairro Areinha, é hoje um dos pontos de referência no que diz respeito a áreas de lazer em São Luís. Formada por um extenso trecho arborizado e urbanizado, a estrutura ainda conta com quatro campos de futebol. O contraste entre o passeio (estruturado) e os campos de futebol (abandonados) reflete um dos maiores problemas da capital maranhense: a dificuldade em manter áreas públicas de lazer e praças em situações adequadas.
Cemitérios – Dos quatro campos de futebol do rio das Bicas, três estão tomados pelo mato o que torna impossível a prática de futebol. Um dos campos, que ainda é utilizado por esportistas, abriga uma caveira de jumento bem no centro. O panificador Pedro Secundino Costa Filho utiliza o local com um grupo de amigos semanalmente. Para ele, o descaso da prefeitura com os campos de futebol do rio das Bicas é lamentável. “A gente vem lá do Bairro de Fátima jogar futebol aqui. Não pode vir à noite porque a iluminação não funciona e, quando vem de dia, tem que jogar em um lugar cheio de esterco e ainda por cima com uma caveira”, lamentou.
Ainda na avenida dos Africanos, outra quadra esportiva reflete a dificuldade da Prefeitura em manter as áreas de lazer. No Coroadinho uma quadra é vizinha de um grande lixão, o que irrita alguns moradores. “Muita criança poderia usar essa quadra, mas os próprios pais não deixam. Como é que alguém vai se sentir seguro sabendo que o filho está brincando em um lixeiro?”, comentou o comerciário José Lopes Raposo.


Praças esquecidas – No Coroado, até que moradores da área tentaram manter a praça da Conquista, entre a rua Netuno e a rua Projetada, por conta própria. Contudo, a falta de iluminação e a falta de limpeza tornaram o local pouco habitado. “É muito difícil vir alguém da prefeitura fazer a capina da área. A iluminação funciona uma vez ou outra e a praça só está pintada porque nós da comunidade fizemos o trabalho”, disse o jovem Brubayker Maia.
No Cohatrac, várias praças e quadras abandonadas apenas reforçam a tese de que a prefeitura não consegue cumprir com seu papel. “É certo que alguns lugares já sofreram boas intervenções, mas achamos que tudo ainda está muito tímido e é preciso que algo seja feito com mais urgência”, disse o comerciante Paulo Freitas Vieira.
(Da Redação)
Bons serviços do Impur colaboram para mudanças
Criado em 2003 o Instituto Municipal de Paisagem e Urbanismo (Impur) foi uma tentativa da atual administração em mudar a situação de abandono de áreas de lazer na cidade. Em apenas quatro anos, já foram construídas e reformadas mais de 30 praças por toda a São Luís. Exemplos como a praça da avenida Cônego Ribamar Carvalho, no Sá Viana, que conta com uma área arborizada e um playground utilizado por dezenas de crianças e moradores da área.

“Aqui antigamente só se reuniam jovens para consumir drogas. Hoje a gente vê qSue vem mãe trazer o filho e famílias inteiras”, disse contente a lavadeira Josefa Araújo Trindade.
A praça Padre Jocy Rodrigues, no Renascença, é outro exemplo de que o planejamento estratégico pode ser a solução para o déficit de áreas de lazer. “Era um lugar desabitado, mas nós tivemos reuniões com a comunidade e a partir do desejo deles nós fizemos as obras na praça”, explicou a presidente do Impur, Alzira Ferreira.
Apesar de terem boas experiências com parcerias com a comunidade, os membros do Impur ainda esbarram na falta de consciência de muitas pessoas. Uma das primeiras praças construídas pelo Instituto, a praça do Rodão no Parque Vitória foi depredada ates, durante e depois da inauguração. “A maioria da comunidade queria a praça, mas algumas pessoas colocaram na cabeça que não se podia fazer nada ali. Chegaram, inclusive, a ameaçar o construtor de morte”, relatou Alzira.
Dias depois da inauguração a praça já estava com os bancos arrancados e totalmente depredada. Para Alzira Ferreira, o principal desafio no que diz respeito a áreas de lazer em São Luís é a conservação e o planejamento a longo prazo.
“Tínhamos um planejamento orçamentário que foi sofrendo baixas seqüenciais no decorrer dos anos. Com isso, se comprometeu toda a estrutura de trabalho. Mas, sem dúvida alguma, a principal dificuldade hoje em dia não é nem construir áreas, muitas delas já existem, mas impedir que elas sejam arruinadas pela ação do tempo e dos vândalos”, concluiu.