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A mise-en-scène do Iphan

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Data de Publicação: 3 de agosto de 2008
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Opinião

Por Oswaldo Viviani*

A visita do presidente nacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, a São Luís, nesta semana, nos ofereceu a oportunidade de assistir a um espetáculo teatral exuberante, em que atores de talento exibiram uma mise-en-scène fabulosa, iluminados pelos holofotes de uma mídia que a eles serve e é servida, que nada questiona.

Atentem para este trecho de uma matéria publicada num dos jornais da cidade, destacando a posição de uma das personagens mais destacadas dessa peça surreal, senhora Kátia Bogéa, superintendente do Iphan no Maranhão, sobre a propalada solicitação de uma missão da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para avaliar as condições dos casarões de São Luís: “Para a superintendente do Iphan no Maranhão, Kátia Bogéa, a solicitação da missão é a constatação de que não está sendo realizada uma gestão eficiente de proteção do patrimônio, tanto a nível municipal quanto estadual e federal.  ‘A solicitação será feita diante do descaso pelo qual passa o Centro Histórico’, disse”.

Peraí, mas quem é a gestora federal da proteção ao patrimônio histórico maranhense? É ela. Ela mesma, Kátia Bogéa. Teria sido a declaração uma surpreendente manifestação de autocrítica? Ou estaria Kátia apenas assinando embaixo seu atestado de incompetência?

Pergunto, ainda: por que a senhora Kátia Bogéa e esses outros adoradores das luzes da ribalta que agora simulam revolta contra o “descaso” em relação aos casarões – Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Delegacia de Meio Ambiente, Delegacia do Meio Ambiente do Patrimônio Histórico da Polícia Federal, Secretaria de Urbanização Municipal, Fundação Municipal de Patrimônio e afins – fingiram-se de mortos quando o Jornal Pequeno denunciou, tempos atrás, que proprietários de casarões – entre eles, José Sarney e a família Murad – estavam abandonando seus imóveis à mercê das intempéries para forçar o Iphan a reformá-los, ou estabilizá-los, utilizando dinheiro do contribuinte?

Essas perguntas certamente seriam feitas à superintendente do Iphan no Maranhão e às demais autoridades presentes à mise-en-scène desta semana, para a qual, aliás, o JP não foi convidado, talvez por não trazer em seu equipamento de trabalho os holofotes tão almejados pelos preocupados gestores do patrimônio histórico do estado.

(*) Jornalista, editor do JP

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