É preciso que muitas pessoas trabalhem e muitas máquinas se movimentem até que um copo de água tratada chegue a nossas mesas. Foi o que demonstrou na sexta-feira a toda a imprensa o presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão, Dr. Rubem Brito.
A visita ao Sistema Italuís fez parte das comemorações dos 42 anos de fundação da Companhia e aconteceu mediante exposições de técnicos e do próprio Rubem Brito sobre as diversas fases de tratamento da água desde a captação – coagulação, fluoculação, decantação, fluoretação etc.
O impacto das informações não foi fácil. É urgente que a Caema faça a substituição de 18 quilômetros de tubos enterrados no trecho de Perizes. Nesse trecho, os rompimentos são constantes prejudicando sensivelmente o abastecimento de água em São Luís. Pior é que, segundo o diretor de Projetos e Obras, João Alberto Goiabeira, não se pode precisar a exata extensão do problema e São Luís pode correr o risco de ficar sem água. A empresa precisa de recursos da ordem de R$ 100 milhões dos quais apenas R$ 15 milhões estão assegurados no Orçamento da União, através de emendas da bancada federal maranhense, para uma solução definitiva.
Exige-se, então, um esforço coletivo de captação de recursos, inclusive na iniciativa privada, projeto já devidamente assentado na planilha de custos do presidente Rubem Brito. Na oportunidade da visita a Bacabeira, ele assinou a autorização de licitação para contratar uma consultoria que elabore estudo e projeto executivo do aumento do sistema de vazão do Italuís.
Rubem Brito, na verdade, busca encontrar nos maranhenses o mesmo orgulho dos que foram protagonistas da implantação da Caema. Lamenta, constantemente, uma tentativa de duplicação do Sistema Italuis ocorrida em 2003, na qual o sobrepreço, o superfaturamento e outras tentativas de desvio motivaram uma intervenção definitiva do Tribunal de Contas da União. Coisas do Maranhão então governado pelo grupo Sarney.
Outro impacto: o desperdício de água em São Luís chega a absurdos 50% a 60% de todo o consumo. O diretor-presidente pretende aumentar a produção do Sistema em mais 1,00 metros cúbicos por segundo para alcançar 3,00 metros cúbicos por segundo.
Talvez que o Italuis seja a maior conquista em termos de obras estatais da capital maranhense no século XX. O sistema abastece 60 % dos bairros, numa cidade de 1 milhão de habitantes e sua produção representa 180 litros d’água por dia para cada cidadão, ensina João Alberto Goiabeira. Todas as análises dos técnicos da Caema indicam, entretanto, que o desperdício é o grande vilão do abastecimento d’água no Estado. Isso precisa mudar, inclusive por razões ecológicas intermundiais.
Não é, portanto, apenas a agonia das máquinas e funcionários que na Caema se movimentam noite e dia para garantir água tratada para a capital maranhense. O presidente Rubem Brito sabe que se é imprescindível conter o desperdício da água captada no rio Itapecuru, imprescindível é também que as elites dirigentes tomem consciência de que o Maranhão não pode, em hipótese alguma, desperdiçar o Italuís.