Ao inaugurar, ontem, 27, pela manhã, o Ateliê de Restauro, instalado na Curadoria de Bens Culturais do Palácio dos Leões, o governador Jackson Lago disse que o Estado dá passos concretos para desarmar às tentativas de produzir desalento, desânimo e, sobretudo, revolta na população com a preservação do patrimônio cultural de São Luís. “Essa é uma manifestação da política cultural de Estado e não apenas de governo. No final aquilo que é concreto se afirmará”, preconizou Jackson Lago.
O ateliê, que conta com um laboratório de causar inveja a instituições proeminentes como a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, contará com uma equipe de técnicos que está ainda em processo de formação, mas capaz de proceder com o trabalho em nível de excelência. Nele será restaurada cerca de 60% do acervo da coleção de gravuras de Arthur Azevedo, considerado o maior da América Latina, composto por mais de 18 mil gravuras.

O governador disse ainda que não poderia deixar de se alegrar com a capacidade revelada pelos técnicos locais ao captarem todo o conhecimento transmitido pela equipe da Biblioteca Nacional e ter condições de reproduzi-lo. “É muito bom que tenhamos chegado a esse estágio. Agora será a responsabilidade da prática do dia-a-dia que vai nos dar a consistência necessária para ultrapassarmos o antigo ambiente desalentador, hoje já distante”, recomendou Jackson Lago.
A compra dos equipamentos foi feita por intermédio da Fapema, com o empenho destacado do professor Sofiane Labidi. Segundo a curadora Maria Helena Duboc, a exposição realizada na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro serviu para apresentar ao Brasil inteiro uma coleção que pertence hoje ao Maranhão. A coleção é formada por gravuras de nomes célebres da arte mundial como Goya, Velásquez, Rembrand e outros. “Hoje recebemos cerca de 20 a 30 e-mails por dia perguntando sobre a coleção”, contou Duboc. São técnicos e professores, doutores e mestrandos da USP, Unicamp que buscam informações sobre a coleção de gravuras adquirida pelo Governo do Estado em 1910. Muitos deles desconheciam Arthur Azevedo como colecionador. “A coleção precisa ser compartilhada por todos, principalmente pela geração nova”, defende Duboc.
Para o secretário de Estado da Cultura, Joãozinho Ribeiro, a instalação de um ateliê com tecnologia de ponta para restauração de gravuras e papéis em combinação com o que está sendo realizado na Biblioteca Benedito Leite reforça uma política permanente de valorização do patrimônio. “Esse é um espaço de continuação e preservação da memória e de tudo aquilo que faz parte desse patrimônio que nós temos”, explicou o secretário Joãozinho Ribeiro.