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Coluna do Othelino

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Data de Publicação: 21 de agosto de 2008
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Othelino Filho

Eleições municipais:

VOTAR NO ESCURO OU NA CLAREZA DA ESPERANÇA?

Recentemente criado, o programa Balanço Geral, da TV Cidade (afiliada da Rede Record), traz um quadro diário com entrevista exclusiva com cada um dos candidatos a prefeito de São Luís. O formato do quadro é interessante pela espontaneidade que sugere. O âncora, Sérgio Murilo, chama o repórter, Sérgio Fernandes, que aborda pessoas, de forma aleatória e individual, em qualquer ponto da cidade, oferecendo-lhes a oportunidade de dirigir perguntas, a respeito de temas distintos, ao candidato preestabelecido, que responde diretamente do estúdio da emissora. As perguntas duram em torno de 30 segundos e as respostas três minutos. Para finalizar, o entrevistado tem mais três minutos para as considerações finais.

Na terça-feira, 19, foi a vez do ex-governador João Castelo. Duas situações mereceram atenção especial. A primeira chega a ser muito preocupante. Antes da entrevista propriamente dita, o repórter quis saber a opinião de populares sobre o horário gratuito da propaganda partidária obrigatória. As respostas foram as mais negativas possíveis. Não prestam a menor atenção. Consideram “pura chatice”; “perda de tempo”; “sempre as mesmas promessas” e, de resto, muito desprezo e indisposição.

O evidente sentimento de aversão nutrido contra a classe política só se justifica ao repelir o despropósito dos que se infiltram em um dos mais importantes instrumentos de realização humana para desvirtuá-lo, utilizando-o despudoradamente em benefício pessoal ou de grupos. Quando se contrapõe aos reencarnados e trânsfugas fariseus do tempo de Cristo: hipócritas, fingidos, traidores, vendilhões de idéias falsas, que negociam a própria alma em troca de benesses, especialmente o poder esbulhado do povo através de manipulações espúrias.

No entanto, o inconformismo não deve extrapolar os limites do bom senso. Não pode permitir excessos com generalizações descabidas e injustas, que não se fundamentam em argumentos consistentes. A repugnância aos politiqueiros profissionais não pode inibir e muito menos censurar o debate de idéias; a exposição de propostas, de compromissos relacionados à causa pública. Como, então, se estabelecerem parâmetros que ensejem a separação do joio e do trigo?

Por exemplo: como avaliar o que foi feito até os dias atuais em favor da coletividade e quem realmente fez? O que deixou de ser feito e quais as razões da omissão ou negligência? O que a população quer e precisa que seja feito? Quais as prioridades indicadas pelas comunidades. Quais as que são contempladas nos projetos dos candidatos? Quem honrou compromissos assumidos e quem deixou de honrá-los. Quais as motivações de uns e de outros? Por que uns ainda inspiram confiança no dizer do poeta: “Política é a arte do bem-comum”? E na afirmação do cientista: “Política é a ciência a serviço do bem-estar social? Enquanto outros despertam tanta ojeriza?

Fora, sim, os picaretas, os demagogos, os carreiristas vis de plantão. O mínimo de coerência recomenda que o eleitor, o cidadão desenvolva no limite das suas possibilidades o mais elevado grau de consciência crítica. Que estimule à exaustão o desejo de conhecer a realidade do mundo à sua volta. A história de vida, a biografia de quem decidiu, decide ou se propõe a decidir sobre o destino das pessoas e das terras onde elas têm o direito natural e impostergável de viver com dignidade. A consciência crítica – repete-se – é que permite a identificação de valores éticos, de competência, de lucidez, de vocação e de patriotismo dos agentes públicos. Sobretudo daqueles eleitos pelo voto livre, soberano e democrático de sua excelência o eleitor.

Depois de demonstrar notório poder de síntese, Castelo respondeu à totalidade das perguntas com o respaldo de quem acumulou, durante décadas, experiências exitosas nos âmbitos político e administrativo. Credenciais que o tornam uma das lideranças mais destacadas da Frente de Libertação do Maranhão. Demonstrou que conhece São Luís minuciosamente: exalta o seu raro e promissor potencial turístico vislumbrado nas suas belezas naturais e históricas que encantam os olhos e enlevam espíritos. Realmente quem se dispuser a viajar no tempo, colecionar lembranças e, se assim o desejar, embriagar-se de emoções, percorram becos, ruas e escadarias; contemplem casas (meio-moradas, moradas inteiras e palácios revestidos de azulejos portugueses), compondo um dos mais belos acervos arquitetônicos coloniais do Continente, patrimônio cultural da humanidade. As maravilhosas praias e a premiada culinária completam o ambiente prazeroso e acolhedor.

Castelo tem conhecimento de causa a respeito do que representa o Porto do Itaqui como formidável alavanca de desenvolvimento econômico-social. E vai somar esforços com o governo do Estado na preparação da juventude são-luisense para ocupar os cargos relevantes nos empreendimentos de grande porte que estão prestes a se instalar na Ilha.

Mas em nenhum momento esqueceu os bairros que agonizam com a falta de infra-estrutura e saneamento ambiental. E garantiu que vai regatar a imensa dívida acumulada, há tantos anos, com as comunidades sofridas, órfãs de administrações omissas e/ou inoperantes. Quanto às palafitas, que insistem em aviltar a dignidade humana, Castelo anuncia um projeto específico que, em sintonia com o PAC-Rio Anil, vai enfrentá-las e vencê-las. É o que se espera de quantos devem o poder e a glória a pessoas singelas sob o ponto de vista material, mas expressivas em valores espirituais.

É preciso insistir em reverter a lógica cruel estabelecida pelo neoliberalismo. Historicamente, tem sido para as elites que se direciona a maioria das riquezas produzidas, as vantajosas oportunidades. No meio, resiste uma classe média perdida, sem norte, que sentiu na carne a perda do poder aquisitivo. Em baixo, a multidão contaminada pela peste da miséria, filha da pobreza, produto da concentração de renda nas mãos da minoria. Presa fácil do crime organizado, poder paralelo que se fortalece cada vez mais nas fragilidades do tecido social e das próprias instituições republicanas.

BOM-SENSO E CONTRA-SENSO NO HORÁRIO ELEITORAL

Já se disse que emissoras de rádio e televisão são concessões públicas sujeitas a dispositivos legais que nelas interferem, desde a formalização do seu pedido junto ao Congresso Nacional à sanção pelo Poder Executivo. Os meios de comunicação lidam com elementos vitais na formação da opinião pública, exercendo influência de significativo alcance. O compromisso com a sua utilização absolutamente voltada para a boa informação e um dos pressupostos indispensáveis.

Entretanto, tivessem mais tempo esses colunistas e muitas tintas gastariam para enumerar as asneiras e virtudes que são veiculadas nos horários políticos gratuitos de responsabilidade da Justiça Eleitoral. Instituição que, por sinal, tem feito uma campanha extraordinária, revelando um show de criatividade ao convocar o eleitor brasileiro a votar com a consciência e a responsabilidade correspondentes à grandeza do ato cívico. E com as conseqüências dele resultantes na vida dos municípios, dos estados e do País. Infelizmente, parece que a maioria não se deu conta das mensagens, ainda que tão bem humoradas quanto didáticas.

Pelo andar da carruagem, seria uma peça tragicômica, mas de alto interesse da população, posto que nunca é de mais repetir o dito de Bertolt Bretcher sobre o analfabeto político.

Como não há tempo, limitamo-nos a observar algumas discrepâncias do primeiro dia da propaganda gratuita do Tribunal Regional Eleitoral. Destaque-se a performance do presidente do PR, jornalista Sérgio Tammer, pregando o país socialmente mais justo e moderno que poderia surgir destas eleições.

Mais lamentável foi a escolha do candidato Pedro Fernandes e do PTB que inauguraram o Horário com a voz planejada de um homem que se tornou símbolo da corrupção no Brasil das CPIs com múltiplos sabores e temperos de pizza: o senhor Roberto Jefferson, que denunciou um mensalão quinzenal destinado a figurões da república.

A coligação “Diga Sim Para São Luís” tem como representante o candidato Gastão Vieira que, aparentemente, não pretende gastar nada nestas eleições, já que faz campanha em Brasília e não em São Luís.

O mais “criativo” dos políticos que o Maranhão já produziu, Ivan Sarney fez na televisão um demorado relato de projetos que não apresentou. E, se apresentou, não permitiu que fossem colocados em prática.

São tantos os candidatos evangélicos, que a gente chega a ter a impressão de que tem gente passando para o lado de Deus só para conseguir um mandato. Cabo eleitoral irresistível, o Senhor Deus ingressa na política pelos mais diversos Partidos, sabatinado no mais descarado mistifório ideológico que o Maranhão já viu.

Candidatos pedem votos no peito e na raça. “Vermelho” não quer que votem em branco; outros falam na velocidade de uma máquina de pipocas. Terceiros apelam para a cor da própria pele; muitos julgam que dançar reggae e administrar São Luís são a mesma pedrada de “responsa”. E o temível Horário se constrói diante de nossos olhos.

E tem aquele Vigilante que se quer eleito para vigiar o dinheiro do povo. Tem candidato “galinha preta e azeite de dendê”, os que juram fazer Justiça. Os que não têm tempo na TV sequer para dizer seus nomes e números. Têm os candidatos do povo de Deus e os candidatos do povo do Diabo. Mas é preciso que o Horário se cumpra para que o destino desse povo possa se cumprir...

(Com a colaboração de JM Cunha Santos)

(othelinofilho@yahoo.com.br)

(othelinoneto@yahoo.com.br)

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