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Centro Espacial de Alcântara sairá de área dos quilombolas

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Data de Publicação: 20 de agosto de 2008
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Plano visa evitar atraso no cronograma da empresa, que tem primeiro vôo do foguete ucraniano Cyclone-4 programado para 2010

Os quilombolas de Alcântara (MA), que não querem obras para o lançamento do foguete ucraniano Cyclone-4 na área em que vivem, conseguiram uma vitória. A empresa binacional Alcântara Cyclone Space, do Brasil e da Ucrânia, decidiu mudar o local do lançamento para evitar atrasos no cronograma. A previsão é lançar o foguete em julho de 2010.

A plataforma será instalada dentro do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Até então, ela ficaria entre as comunidades quilombolas de Mamuna e Baracatatiua.

As populações tradicionais temem ser prejudicadas nas suas atividades de subsistência. Em 2003, o Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça para tentar obrigar a União a regularizar o território quilombola, o que ainda não aconteceu.

Foto:HONÓRIO MOREIRA
Quilombolas de Alcântara: comunidade é vizinha do centro

“Parte [da área do CLA] está sendo cedida à empresa para o lançamento do Cyclone-4. Agora, vamos nos localizar dentro do próprio CLA, que já existe. Isso facilita porque nós não estamos mais dependendo da regularização fundiária”, disse Roberto Amaral, diretor-geral da Alcântara Cyclone Space.

De acordo com ele, que já foi ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula, a data do lançamento foi definida pelo presidente. “Ele determinou que fizéssemos o lançamento até 2010. Enquanto essa questão não se resolve, nós estamos instalando um convênio com o Ministério da Defesa no próprio CLA”, disse.

Segundo Roberto Amaral, o processo será agilizado, pois a empresa irá para uma “área já estudada do ponto de vista de estrutura, de topografia”. “E não tem problema com a comunidade”.

Para que dê tempo de lançar o foguete Cyclone-4 no prazo, as obras dentro do CLA devem começar em 2009. “A parte tecnológica quase toda dispensa licitação, porque são fornecedores únicos. Agora, vamos ter que fazer concorrência para toda a parte de construção civil”.

De acordo com o diretor-geral, haverá uma plataforma de lançamento, uma área de segurança, uma área tecnológica, uma parte separada para os combustíveis e local para armazenar os foguetes e as cargas a serem lançadas ao espaço.

A empresa diz que, caso a questão fundiária seja resolvida, pode voltar a utilizar a área entre as comunidades de Mamuna e Baracatatiua.

Rodovia – O foguete está sendo construído na Ucrânia. Ao Brasil cabe cuidar da infra-estrutura para o lançamento. Em vez de esperar a construção de um novo porto, mais próximo, será feita a reconstrução de cerca de 50 km de uma rodovia, a MA-106, para servir à base.

O asfalto dessa rodovia precisa ser bastante resistente – passarão por ali utensílios necessários para a finalização do foguete, além de materiais para a construção da parte física da Alcântara Cyclone Space. O peso de cada caminhão contendo os materiais é estimado em 50 toneladas.

Segundo a empresa, a opção de reconstruir a estrada é mais barata e também mais rápida do que a construção de um porto no local. O governo do Maranhão está com os dados técnicos para a construção da estrada em mãos desde a quarta-feira passada. A empresa diz que o edital de licitação pública para contratar empresa que fará a obra deve ser divulgado em breve pelo Estado.

(Afra Balazina, da Folha de S. Paulo)

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