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EditorialCrimes recorrentes

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20 de agosto de 2008

As inexplicáveis e tortuosas aventuras financeiras do grupo político comandado pelo senador José Sarney não se manteriam eternamente sob o manto dos segredos invioláveis. Ninguém consegue enganar todo mundo o tempo todo. E muito menos a Justiça.

Depois do corre-corre para salvar da degola o empresário Fernando Sarney, que seria responsável por alimentar um Caixa 2 na campanha da senadora Roseana Sarney, e depois das inumeráveis citações de membros da família nos arquivos da Operação Navalha, o Supremo Tribunal Federal decide, agora, abrir inquérito para investigar o senador Edinho Lobão.

Diga-se, antes de tudo, que este jornal não costuma encontrar culpados antes dos fatos, conforme é o procedimento de muitos. Apenas estranha-se que pessoas constantemente envolvidas em denúncias de crimes contra o sistema financeiro tenham a cara de pau de acusar os outros. Deviam ouvir o adágio popular que informa que quem tem telhado de vidro não atira pedras na casa alheia.

O sigilo bancário do recente senador será quebrado e as diligências solicitadas pelo Ministério Público Federal estão devidamente autorizadas pelo ministro Carlos Alberto Menezes.

O crime de sonegação de impostos é, talvez, o que mais incomoda a população empobrecida deste país que paga mais de 50 tipos diferentes de tributos. Enquanto isso, pessoas que lucram horrores com empresas e empresas fantasmas, costumam esconder-se atrás de laranjas e doleiros para driblar o fisco. Lobão Filho é acusado também de ser sócio oculto em uma empresa de bebidas e de cometer irregularidades na venda de uma emissora de televisão no interior do estado.

O que restará provado de tudo isso, sobre Fernando Sarney, Edinho Lobão e parentes freqüentadores das agendas de Zuleido Veras ainda não se sabe. A justiça brasileira costuma ser muito lenta na hora de apurar certos tipos de crimes e a legislação permite tantos recursos que ninguém sabe quanto tempo um processo poderá tramitar na Justiça.

Mas a história do Maranhão não pode continuar suportando tantos históricos de corrupção, tão glamurosos e explosivos como o caso da Lunus, para citar só um exemplo. Alguma decisão, algum dia, a Justiça terá que tomar para livrar esse estado de tanta vergonha, pois há casos em que a voz das urnas não basta para punir saqueadores de dinheiro público.

A política sempre permitiu e sempre permitirá influências danosas contra o Estado, mas cabe ao Estado impedir que a atividade pública seja exercida para atender interesses de grupos. E são precisamente os poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – os que se amesquinham quando seus agentes enveredam pelo caminho do crime.

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