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Artesãos não querem ser confundidos com ‘favorzeiros’ do Centro Histórico

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Data de Publicação: 17 de agosto de 2008
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Por Jully Camilo

Os artesãos que trabalham nas ruas do Centro Histórico lamentam estar sendo confundidos com os ‘favorzeiros’ que perambulam pelo Reviver, pedindo e incomodando turistas e comerciantes que freqüentam ou trabalham no local. Segundo o artesão Delano Roosevelt Alves Carvalho, 31 anos, natural de Imperatriz e residente na capital há quase três anos, o codinome ‘favorzeiro’ se deu por conta dos inúmeros pedidos de, por favor, que estas pessoas usam para extorquir dinheiro, alimentação, bebidas e outras coisas dos visitantes que passeiam pelo principal ponto turístico da Ilha.

De acordo com Delano, o verdadeiro artesão é aquele que responde por todo o processo de transformação da matéria-prima em produto acabado. Passando inclusive pela fase de confecção, onde o artista é responsável pela seleção do material a ser utilizado e pela concepção, ou projeto do produto a ser executado. “Não somos hippies e há muito tempo este termo deixou de ser usado. Afinal esse movimento teve início nos anos 60, quando muitos jovens passaram a contestar a sociedade e a pôr em causa os valores tradicionais e o poder militar e econômico. Os hippies defendiam o amor livre e a não-violência”, disse ele.

O artista maranhense narrou que, o que tem acontecido, na maioria das vezes, são pessoas que carregam consigo um ‘mangueador’ (espécie de pedaço de cano encapado) embaixo do braço com meia dúzia de pulseiras no valor de R$ 1,50. Se o cliente não tem a quantia exata e dá uma nota superior ao valor estipulado ele deixa os produtos na mesa e argumenta que vai trocar o dinheiro e não retorna mais. Ou então guarda o que recebe e gasta somente com bebidas provocando situações desagradáveis em meio aos turistas. “Nós não somos de abordar ninguém, quem quiser nos encontrar é só vir até a rua João Galberto, aqui no Reviver e verá nossa família de artesãos, com exposições em panos de chão, painéis e ‘mangueadores’. Não usamos armas, apenas o nosso instrumento de trabalho que são tesouras, alicates de bico e de corte. E trabalhamos apenas com materiais naturais que são adquiridos em comunidades de pesca e em aldeias indígenas”, declarou Delano Roosevelt.

A comunidade de artesãos que exibem seus trabalhos próximo à rua do Giz, composta de aproximadamente 10 pessoas, disse que os referidos andarilhos têm prejudicado sua imagem, pois eles vivem das vendas de seus produtos, chegando muitas vezes até a exportar para alguns países. Os artistas revelaram que por vezes já serviram como guias turísticos, já aconselharam visitantes a não andar por determinadas ruas muito tarde da noite, por conta dos assaltos e entre outras dicas úteis. “Sou maranhense com orgulho e divulgo a Ilha, já fui até cartão postal de São Luís, pois existem bancas de jornais e revistas que exibem minha foto por aí. Outro dia ministrei um curso de artesanato no Uniceuma para 150 acadêmicos. Nunca pedi dinheiro a ninguém, pois graças a Deus trabalho para não precisar mendigar. Só gostaria que as pessoas soubessem distinguir o artista do ‘favorzeiro’, e que não deixassem de admirar nosso trabalho que é feito com muito carinho e dedicação”, explicou o artesão.

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