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GospelA ENORMIDADE DO PECADO

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11 de agosto de 2008
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Há duas razões pelas quais considero importante abordar o tema do pecado. Em primeiro lugar, creio que jamais Deus será glorificado pela salvação e libertação de alguém que não compreenda a enormidade desse mal. Só podemos reconhecer a grande misericórdia e o imenso amor de Deus por nós, quando tomamos ciência do grande poder que o pecado exercia sobre nossas vidas, antes de nossa regeneração. Em segundo lugar, estou certo de que não evangelizaremos corretamente um pecador, a menos que saibamos o que diz a Bíblia sobre o pecado.

Quando me refiro à enormidade do pecado, não quero dar a impressão de uma espécie de incompreensibilidade, ou que o mesmo não pode ser compreendido por ser muito confuso ou algo desse tipo. Estou me referindo à necessidade dele ser considerado sob diferentes aspectos. Quais, pois, são esses aspectos?

O primeiro é o aspecto superficial, individual ou sintomático do pecado – PECADO COMO ATO – sua faceta visível. Nesse caso, ele é a transgressão de um mandamento de Deus. Mas as coisas não podem encerrar por aí. O que acabamos de apontar foi apenas a ponta do iceberg. Há um elemento imediatamente abaixo do pecado como simples ato. Qual, então?

O PECADO COMO PRINCÍPIO é o próximo aspecto que devemos abordar. A partir daqui vemos as coisas saírem um pouco do controle da pessoa. Aqui passamos a ver um pouco da complexidade do pecado. Poderíamos dizer, sem receio, que o primeiro aspecto é, em geral, causado por esse segundo. Em outras palavras, o “pecado como ato” é causado pelo “pecado como princípio”. Quando uma pessoa transgride as leis de Deus, por mais que sua consciência o avise, ela se sentirá disposta a cometer o mesmo mal outras vezes mais. E não fará isso obrigada. Não, absolutamente. Ela se sentirá bem ao fazê-lo. O fato é que ela estará seguindo princípios contrários aos de Deus. É como se ela seguisse setas que estão sempre indicando um caminho anti-Deus. Compreenda a força desse elemento. Ele arrasta a pessoa para o ato deliberado de pecar. E todas as vezes que ela é arrastada, sente um prazer nisso; sente-se envolvida, completamente dominada, não tendo olhos para outra coisa. Por que isso? Qual a razão disso tudo? Precisamos descer mais um pouco.

Por fim, existe o elemento profundo: a raiz, o âmago, a essência. Sim, o PECADO COMO ESSÊNCIA. Quando somos ensinados pela Bíblia sobre a essência do pecado, vemos paradoxalmente sua complexidade e compreensibilidade. Ficamos estarrecidos, de queixos caídos. Como esse mal é devastador, destruidor e, por assim dizer, poderoso! Por que o homem pratica atos pecaminosos (PECADO COMO ATO)? A resposta é óbvia: ele está controlado por princípios anti-Deus (PECADO COMO PRINCÍPIO). E por que se segue tais princípios? Aí está a chave para a compreensão desse mal. Os princípios contrários a Deus originam-se de uma condição, de um estado espiritual doente, ou melhor, morto. Por isso sua complexidade. O ser humano possui três elementos em sua constituição: o espírito, a mente e o corpo. Note, não estou dizendo três substâncias. Não sou tricotômico. Agora, tornemos as coisas mais claras: com o corpo cometemos os PECADOS COMO ATO; com a mente, os PECADOS COMO PRINCÍPIO. O corpo peca porque a mente governa; porque a vontade impele a pessoa ao erro. E a mente, por quem é governada? É governada pelo deus deste século, o qual “cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2 Coríntios 4.4). Quando um homem está espiritualmente morto, na verdade melhor dizer inerte, sua mente é totalmente manipulada pelo diabo para seguir os princípios contrários aos de Deus; e embora seu corpo sinta prazer, sua alma não escapará das conseqüências. O PECADO COMO CONDIÇÃO OU ESSÊNCIA é, portanto, a causa do PECADO COMO PRINCÍPIO E DO PECADO COMO ATO. Você percebe agora a complexidade da coisa? O pecador pratica o pecado porque sua mente o governa para isso; e sua mente o governa para isso porque seu espírito não pode fazer nada para impedi-lo, porque ele está morto para tanto. E por que está morto? Porque “(...), assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Essa é a enormidade do PECADO.

Agora, no entanto, precisamos fazer algumas aplicações diante do que asseveramos. Em primeiro lugar, o pecado deve considerado com distinção em relação ao cristão e ao não-cristão. O pecado exerce uma força sobrenatural na vida do não-cristão de forma que o condena, uma vez que nada pode fazer em relação a Deus; uma vez que é morto espiritualmente. O cristão, todavia, obteve a graça de Deus, por intermédio da fé em Cristo Jesus, e recebeu a nova vida em seu espírito. Portanto, este pode dirigir-se e agradar a Deus. Os princípios anti-Deus não exercem governo sobre ele. Pelo contrário, “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmos 1.2). O cristão pode até cometer pecados que desagradem a Deus, todavia não por seguir princípios que estão em sua mente, mas pela força do hábito. Mas todas as vezes que fizer isso, é certo que Deus não deixará em branco, porque “o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe (Hebreus 12.6). Na mente do verdadeiro cristão está sempre o desejo de agradar a Deus. Quando ele peca, sente imediatamente que fez algo contra Deus e sua consciência o leva ao solícito perdão dEle: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). Em segundo lugar, não importa qual o pecado como ato do não-cristão, se seu espírito não foi ressuscitado por Cristo, todos são iguais perante Deus. Nesse caso, não existe pecadinho ou pecadão. Em outras palavras, tanto um assassino, quanto a um budista altamente moralista, ou até mesmo um cristão apenas nominal, todos, sem Cristo, perecerão no Ira de Deus. O problema dessa pessoas, em primeiríssimo lugar, não é seus atos praticados, mas seu estado espiritual diante de Deus. Antes de me sentir motivado a levantar uma bandeira contra, por exemplo, o homossexualismo, vejo-me motivado a levantar a bandeira da evangelização dessas pessoas. Elas precisam de Cristo. Sei que suas ações não agradam a Deus; no entanto, é precisamente seu coração que está doente. “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,” (Marcos 7:21). Você percebeu mais uma vez a complexidade? Ninguém mudará, a menos que seu coração receba a cura. Não adianta tentar aconselhar alguém a que abandone isso ou aquilo. Não é uma questão fácil. A coisa é muito mais difícil do que se pensa. Exige-se uma mudança radical, ou seja, na raiz. Daí a necessidade da salvação em Cristo Jesus. Estou dizendo que o que precisamos é exatamente disso: da salvação em Cristo. Só Ele pode nos libertar da força do pecado. Só ele pode devolver a nossa vida espiritual e assim nos ajudar a vencer os princípios contrários a Ele, por meio de Sua Palavra, e assim, coibir o pecado como ato em nossas vidas. Ele é vitória sobre a morte: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 6.23).

Portanto, se você é um cristão evangélico, glorifique o Senhor Jesus por sua libertação do pecado. E quando você for evangelizar não ataque apenas o pecado como ato. Pregue contra os princípios nãos-cristãos que a pessoa adota e mostre, sobretudo, que Cristo é único que pode tornar-lhe nova criatura e perdoar seus pecados. Agora, caso você não seja um cristão, passo dizer o que se segue. O pecado é uma força poderosa; ele está arrastando-o para a total destruição e fracasso; no entanto, há uma solução para você: Renda-se a Cristo; arrependa-se de seus pecados e se converta a Ele. Essa é sua única esperança.

Que Deus nos ajude e nos livre do poder do pecado!

Carlos Ximendes – São Luís – ximendescarlos@hotmail.com

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