Brasília - O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, fez ontem à noite um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão fazendo referência aos candidatos de “ficha suja”, ao pedir que os eleitores se informem sobre qual é o candidato “mais democrático” e com “vida moralmente limpa”.
Ayres Britto é historicamente favorável à idéia de barrar candidatos com “ficha suja”. Recentemente levou o tema ao plenário do TSE, mas acabou derrotado. Ele também pediu atenção aos brasileiros para que dêem “um chega pra lá nos compradores de votos e buscando o máximo de informação quanto ao candidato mais democrático”. “Mais democrático e de vida moralmente limpa, além de comprovadamente capaz de conduzir os destinos de seu município, isso porque o futuro do seu município, eleitor, será o seu próprio futuro”, disse.
Seu pronunciamento foi o início da campanha publicitária do TSE, que custou R$ 3,5 milhões, R$ 1,5 milhões a menos que em 2006. Ontem mesmo, após a fala do ministro, os primeiros filmes foram veiculados. Eles foram produzidos pela Fundação Padre Anchieta, que contou com a participação da agência W/ Brasil, do publicitário Washington Olivetto.
A campanha diz ao eleitor sobre sua responsabilidade de escolher um “bom” ou “mau” candidato e afirma que “quatro anos é muito tempo”, referindo-se ao tempo do mandato eletivo de um político. No rádio, o TSE trabalha diretamente com a idéia da vida pregressa do candidato: “quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem. Por isso, antes de votar, pesquise o passado dos candidatos à próxima eleição, porque o desinteresse dos eleitores acaba facilitando a corrupção e a eleição de maus políticos”, diz a campanha do tribunal.
Já na televisão, os filmes dizem ao eleitor para escolher o “melhor candidato”, e mostra a situação de alguém que, por uma escolha errada, perde tempo. No primeiro, um homem espera a passagem de um trem em seu carro para atravessar os trilhos, mas ao procurar por cds, sem prestar atenção, acaba por esperar pela passagem de outro trem para seguir.
No segundo, outro homem se prepara para ver a passagem de um cometa em um acampamento. Ele, porém, se distrai ao tentar acender um lampião e acaba não percebendo que o cometa passou sem alarde. A idéia do tempo perdido também foi citada no pronunciamento. “Quatro anos passam rapidamente -uma corrida de 100 metros- se o nosso voto é bom; quatro anos arrastam-se em passo de tartaruga se o nosso voto é ruim. Este é um ano de ventura, portanto, um ano de felicidade, um ano de sair da platéia para subir ao palco da urna eletrônica e ali decidir sobre nossos próprios destinos, sobre nossa própria qualidade de vida”, afirmou. “Eleição não é engarrafamento de trânsito, nem cadeia ou penitenciária, não é um velório. Eleição é o ponto mais alto e mais luminoso da democracia representativa”, disse.