O Ministério Público Federal acusa o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, preso ontem pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, de tentar subornar um delegado federal para que ele tirasse alguns nomes do inquérito da PF. O advogado do banqueiro, Nélio Machado, nega as acusações.
Segundo a denúncia, duas pessoas teriam, supostamente a mando de Dantas, oferecido US$ 1 milhão para o delegado. Uma delas, Hugo Chicaroni, já foi presa ontem durante a operação.
Machado disse que vai até o STF (Supremo Tribunal Federal), se necessário, para tentar libertar Dantas. A prisão temporária do banqueiro é válida por cinco dias, podendo ser prorrogada. Além de Dantas, a PF também prendeu ontem o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.
Daniel Dantas é o dono do grupo Opportunity, fundado por ele em 1993. O banqueiro ganhou notoriedade ao se associar com o Citigroup, para se tornarem sócios do consórcio que venceu a concessão de telefonia que criou a Brasil Telecom. Depois iniciaram uma disputa societária que só terminou com a venda da empresa para a Oi (ex-Telemar) no início deste ano. Durante essa disputa foi acusado, entre outras coisas, de espionagem.
A operação da PF investiga o suposto desvio de verbas, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF e o Ministério Público pediram ainda a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, por sua suposta participação na organização criminosa, mas o juiz federal Fausto de Sanctis entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.
Paraíso fiscal – O Ministério Público Federal acusa o grupo do banqueiro Daniel Dantas de ter movimentado, entre 1992 e 2004, quase US$ 2 bilhões por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe.
Segundo a Procuradoria, além de evasão de divisas e formação de quadrilha, as investigações apontam que o grupo de Dantas teria cometido também gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados (empréstimos entre empresas do mesmo grupo) e corrupção ativa.