A quantidade da refeição para treze alunos é considerada insuficiente por pais e estudantes
Aescola municipal de Sabiazal funciona no casebre da Associação de Lavradores do povoado. As paredes estão escoradas para não desabarem, a madeira está sendo destruída pouco a pouco pelos cupins. Mas os moradores não reclamaram da situação porque atualmente estão limpando um local, ao lado da associação, onde será construída uma escola para as crianças, promessa recente do governo municipal.

No entanto, não puderam deixar de pedir merenda escolar enquanto a escola não é construída. A quantidade que é fornecida para ser consumida por treze alunos é considerada insuficiente por pais e estudantes. Da última vez que chegou, por exemplo, a escola só recebeu dois quilos de arroz para o mês inteiro, como lembrou a estudante Eize Raiane da Silva, de 11 anos. "Veio dois quilos de arroz, um litro de óleo, três latas de sardinha, um quilo de açúcar e três pacotes de bolacha. Acho pouco porque não dá nem pra duas semanas. É ruim porque a gente só toma café e sai daqui quase doze horas", revelou.
Eize, por exemplo, tem que pedalar cerca de 3 quilômetros de volta à sua casa na companhia da avó que disse que, às vezes, os familiares precisam colaborar para que as crianças continuem na sala de aula. "Tem vez que a gente manda até arroz de casa, quando esta merenda termina a gente manda arroz, manda ovos. Cada um leva um pouquinho, chega lá cozinha, todo mundo come para poder ter coragem de voltar para casa", afirmou Maria de Fátima Nascimento.
Todos os pais estão reclamando. O agricultor Francisco Lima fez um apelo aos responsáveis pela distribuição da merenda. "Para nós que somos adultos é ruim, imagine para as crianças passarem este tempo todo sem merenda. O apelo que a gente faz é que as autoridades tomem uma providência porque a gente tem que ter todo cuidado com criança. Criança não é como adulto, acho que complica até mesmo na aprendizagem delas", apelou.
A central de distribuição da merenda escolar alegou que a entrega é feita de acordo com cálculos de uma nutricionista. O município recebe apenas R$ 0,22 por cada criança matriculada e o número corresponde aos matriculados do ano passado, cerca de 23.000 alunos, sendo que este ano existem mais estudantes na rede municipal. Especificamente sobre o caso de Sabiazal, a distribuição afirmou que a quantia está de acordo com os 13 alunos.
O dois quilos de arroz, por exemplo, poderiam durar o mês inteiro porque só é para ser dado uma vez na semana e cada criança deveria comer só o equivalente a 50 gramas nesse dia (cozido chega a cerca de 120 gramas). Outra alegação da central de distribuição, hoje na Cibrazem, é que as pessoas têm que se conscientizarar de que a merenda é apenas um lanche, não um almoço, que deve suprir só 15% das necessidades de cada criança durante o dia.
(Portal Zill)