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Editorial
O pacto do Mearim

O pacto do Mearim

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Data de Publicação: 9 de julho de 2008
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Caso cumpram-se as moções acordadas entre os juízes e promotores Douglas de Melo Martins, Maria do Socorro Matos, Lewman de Moura Silva e Lana Cristina Barros Passos e os candidatos dos municípios de Pedreiras, Lima Campos, Bernardo do Mearim e Igarapé Grande, o Maranhão terá dado um passo inédito no sentido da moralização das relações públicas. Mais consistente ainda porque se trata de repor questões de honestidade e lisura, equilíbrio e paz no processo eleitoral.

O Maranhão, como de resto todo o país, precisa voltar a crer que é possível aos homens públicos, aos gestores e autoridades afins, alguma organização no sentido de proteger o patrimônio do povo, de reter os gastos e exageros desta que é uma das eleições mais caras do mundo. É bem melhor que se organizem para salvar a integridade da Nação do que para ferir sua dignidade; que estejam dispostos a apostar na confiança mútua, nos preceitos constitucionais e na legitimidade das instituições que ousam querer representar.

Um pacto pela moralidade das eleições nos parece bem mais salutar do que a vigilância, a fiscalização, a perseguição exacerbada dos gastos dos adversários com o fim de construir processos que modifiquem a vontade popular. Trata-se de um exemplo inusitado desta região nordestina em que a cada pleito arma-se uma briga de foice no escuro, em que o objetivo, mais que vencer, é destruir a vitória do adversário político. E como é bom que este acordo esteja sendo celebrado precisamente aqui onde, secularmente, princípios básicos da democracia foram esquecidos e as vitórias eleitorais têm sido construídas muito mais a peso de dinheiro do que pelo convencimento geral das propostas de cada candidatura.

As restrições aos gastos de cada candidato estarão submetidas a princípios éticos e legais que não poderão ser violados em benefício de nenhum deles, pactuadas em cláusulas judicantes que não devem ser desobedecidas, sob pena de se jogar por terra uma das iniciativas mais brilhantes no fórum eleitoral brasileiro nos últimos tempos.

Se essa iniciativa lograr êxito, os gastos com pessoal, gasolina, carros de som, material de propaganda estarão limitados entre todos os candidatos. Será como se a moralizadora idéia de um teto para financiamento de campanhas tenha dado certo primeiro no Maranhão. O Brasil saberá, assim, que a disputa eleitoral é possível a partir de condutas comuns; é possível obedecer à legislação que norteia os pleitos eleitorais.

Obedeçam, senhores candidatos, aos limites de gastos descritos neste acordo, cumpram o que a consciência pública lhes impõe neste momento e não haverá vencidos nem vencedores na região do Médio Mearim. Todos vocês estarão eleitos na consciência e na dignidade do povo inteiro deste país. Como um exemplo a ser seguido, copiado e acolhido para sempre.

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