Aaudiência de conciliação entre o sindicato e a ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), na sede do TST (Tribunal Superior do Trabalho), foi suspensa no fim da manhã de ontem sem uma definição sobre a greve da categoria. Com isso, continua em 23 estados (inclusive no Maranhão) e no Distrito Federal a paralisação iniciada na terça-feira da semana passada.
O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, propôs intermediar pessoalmente a negociação mediante a volta de todos os funcionários da empresa ao trabalho. Duas reuniões semanais, de acordo com a proposta, seriam realizadas até o fim de julho entre as partes. Porém, Correios e sindicalistas não chegaram a um acordo, e a audiência no TST será retomada no próximo dia 15.

Segundo a Fetect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), a categoria reivindica o cumprimento integral de um acordo assinado em novembro de 2007. Os principais pontos do acordo não cumpridos seriam a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros. Por sua vez, os Correios afirmam que o compromisso foi cumprido e mantêm o posicionamento de cortar o ponto dos grevistas.
Retomada – Como não houve acordo sobre o fim definitivo da greve, fica mantida a liminar do TST que determina que pelo menos 50% dos funcionários dos Correios retomem o trabalho, sob pena de multa diária de R$ 30 mil pelo descumprimento.
“Assim sendo, embora deva ser reconhecida a utilização da greve como legítimo instrumento de pressão sobre o empregador, faz-se necessário resguardar o interesse público, com a manutenção, ainda que parcial, dos serviços realizados pela empresa”, disse Brito em nota à imprensa, na sexta-feira.
Até a tarde de ontem, os Correios não tinham informações atualizadas da adesão dos funcionários a greve. O último levantamento, de sexta-feira, apontava que 36% dos carteiros de todo o Brasil estavam de braços cruzados.
Em São Paulo, que possui um quinto de todos os carteiros do país, 17% estavam parados até aquele dia. Em Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, esse percentual passava dos 50%.
(Folha Online)