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Insegurança no segundo mês do governo Roseana deixava alarmada a população

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Data de Publicação: 7 de julho de 2008
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POR JOSÉ LINHARES JÚNIOR

JP MEMÓRIA

No dia 12 de fevereiro de 1995 as manchetes dos jornais da cidade anunciavam a fuga de 12 presos da antiga CEREC, localizada no Anil. Menos de 48 horas depois, mais 4 bandidos fugiram da Delegacia de Furtos e Roubos. As notícias davam apenas um indício do que estava por vir. No segundo mês de governo da governadora Roseana Sarney, uma onda de assaltos tomou conta da cidade. Na ocasião, até mesmo o presidente da Associação Comercial na época, o hoje deputado Afonso Manoel, chegou a enviar uma carta ao secretário de Segurança pedindo mais segurança na cidade.

Onda de assaltos – Logo no início do mês de fevereiro, cerca de 4 assaltantes usando coletes da Polícia Civil assaltaram uma loja da Fribal no Retiro Natal e levaram mais de R$ 17 mil. Dias depois, um grupo com características semelhantes assaltou a Lusitana no Maiobão. A audácia da quadrilha era tanta que, não conseguindo arrombar o cofre, os bandidos decidiram levá-lo consigo. O crime aconteceu há menos de 1 km da Delegacia do Maiobão.

No dia 9 de fevereiro de 1995, o gerente Paulo Jorge Silva, do supermercado Econômico do Tropical Shopping passou por momentos de desespero. Seqüestrado em uma parada de ônibus por quatro homens, o gerente foi levado no final da noite até o supermercado onde trabalhava onde foi obrigado a abrir o cofre e entregar toda a renda aos bandidos.

Menos de uma semana depois, foi a vez de bandidos assaltarem a Drogaria Santa Marina, localizada no Monte Castelo. Insatisfeitos com a renda do primeiro assalto, os bandidos se dirigiram até a Drogamar, na avenida São Luís Rei de França, e realizaram um novo assalto. A ação da quadrilha inaugurou uma prática que viria a se tornar comum no governo Roseana Sarney: assaltos seqüenciais promovidos pela mesma quadrilha em intervalos de tempo inferior a 1 hora.

Dias depois, os jornais voltaram a noticiar mais um assalto na cidade. A JB Distribuidora, localizada no São Francisco, foi alvo de uma quadrilha formada por quatro homens que levaram mais de R$ 50 mil.

Se o mês de fevereiro concentrou um grande número de assaltos, o mês de março mostrou que a impunidade e falta de medidas do Governo Estadual apenas reforçava a ação dos bandidos. No dia 2 de março, bandidos assaltaram o Bar das Ostras na avenida Litorânea e se dirigiram para a Cohab onde assaltaram Florize Bonfim. O crime aconteceu bem na porta da Caixa Econômica Federal.

O clima de violência na cidade foi tema de manchete dos jornais

Foi um tempo em que a ousadia dos bandidos desafiava a polícia

O assalto ao carro forte ocorrido em Caxias despertou o interesse de quadrilhas de outros estados. Um dos colunistas do JP chegou a mencionar na época que o clima de Velho Oeste no estado estava atraindo bandidos de outros estados, que viam no Maranhão um tipo de “Eldorado da Insegurança”. A declaração do colunista foi profética, ainda na primeira quinzena de março uma quadrilha de assaltantes assaltou uma agência do Banco do Estado do Maranhão em Arari ao meio-dia, levando mais de R$ 25 mil. A casa lotérica Boa Sorte, localizada na Cidade operária, também foi vítima de uma ação semelhante horas depois.

As estradas do Maranhão, consideradas as mais perigosas do Brasil na época, toda semana registravam assaltos a ônibus. No mês de março, a BR-122, trecho nas proximidades de Itapecuru-Mirim, foi palco de pelo menos 4 assaltos.

No dia 13 de março São Luís voltou a ser alvo de uma turnê de assaltos, quando 8 homens assaltaram a empresa Timbiras, na avenida dos Franceses, e levaram mais de R$ 2 mil. Aproveitando o clima de insegurança na cidade, os bandidos atravessaram a avenida e assaltaram o Posto Confiança. A ação dos bandidos demorou quase uma hora sem que nenhuma reação da Polícia fosse registrada.

Assassinatos diários – No primeiro dia de fevereiro, Francisco de Assis Lima foi assassinado a tiros. No dia seguinte, Deusimar Carvalho foi baleado e morto. O assassinato dos dois foi precedido pela morte de Dorindo Ferreira Sales Neto, comerciante do Maiobão, assassinado por encomenda. A morte do comerciante revelava um lado violento do governo Roseana Sarney: a pistolagem.

Nos dias que se seguiram, foram mortos a tiros Francisco Domingos da Silva, Antenor Soares Ferreira, o lavrador Naldo, Geironilson Marques Pinheiro, Nivaldo Antonio Fonseca, Nelson Pereira dos Santos, Antonio Pereira, Maria do Socorro Silva Rodrigues, José Carlos Teixeira, Pedro José de Carvalho, Dionísio Nascimento e Luiz Henrique Pereira da Silva.

A morte de Nelson Pereira dos Santos foi emblemática para o clima de instabilidade na segurança pública da época. O jovem de 19 anos foi assassinado com um tiro no peito após esbarrar com um desconhecido em uma parada de ônibus.

Foram noticiadas pela imprensa 15 assassinatos a tiros apenas no mês de fevereiro no governo Roseana Sarney. Contudo, o número de assassinatos foi superior a trinta apenas naquele mês.

Charles Henrique Garcia, de apenas 18 anos foi trucidado a facadas na porta do clube Simplesmente Maria em um confronto de gangues, outra chaga do governo Roseana Sarney. Também foi assassinado a facadas o vendedor ambulante conhecido como Joel.

Até mesmo assassinatos a pauladas tornaram-se comuns no governo Roseana. O PM Domingos do Espírito Santos Cutrim, morto em São Raimundo das mangabeiras, e o jovem Estevão Nascimento Serejo, assassinado em mais um confronto de gangues na Liberdade, foram brutalmente espancados até a morte no mês de fevereiro. O comerciante Armando Francisco teve morte diferente, mas não menos trágica. Encontrado nas matas no Araçagi, o comerciante aparentava ter sido estrangulado.

Clima de Velho Oeste

No terceiro dia do mês de março, o governo Roseana Sarney registrou uma cena típica de filmes de Hollywood, uma quadrilha de assaltantes usando fuzis AR-15, de uso exclusivo do exército, metralharam um carro forte na cidade de Caxias e levaram mais de R$ 240 mil. A ação foi primeira página em todos os jornais da época e deixou a população, que já estava assustada com a onda de assaltos, em estado de alerta.

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