Brasília - O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, vai depor amanhã (terça-feira) no Conselho de Ética da Câmara no processo em que é acusado de quebrar o decoro parlamentar por envolvimento em um esquema de fraudes no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A reportagem apurou que, no depoimento, Paulinho pretende manter a estratégia adotada pelo parlamentar de desqualificar as acusações e assumir o papel de vítima de perseguição por suas posições em defesa dos direitos dos trabalhadores.
O deputado sustenta que as denúncias de seu envolvimento em fraudes no banco e de favorecimento a ONG “Meu Guri” -da qual sua mulher é presidente- são baseadas apenas em recortes de jornais, sem nenhuma prova concreta. Por esse motivo, Paulinho vai pedir ao conselho para arquivar o processo por quebra de decoro parlamentar, uma vez que ele afirma não haver provas “contundentes” para a perda do seu mandato.
Os integrantes do conselho, no entanto, estão dispostos a questionar detalhes não esclarecidos pelo parlamentar sobre o seu suposto envolvimento nas fraudes. O relator do caso no conselho, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), disse que a defesa escrita do pedetista enviada ao conselho não o satisfez.
O relator pretende ouvir nove pessoas citadas no caso Paulinho antes de apresentar o seu parecer. Nos bastidores, Piau afirma que a situação do deputado é “complicada”, uma vez que há fortes indícios do seu envolvimento no esquema de fraudes. Entre as testemunhas, o relator quer convidar Elza de Fátima Pereira, mulher de Paulinho, o advogado Ricardo Tosto, ex-conselheiro administrativo do BNDES, João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho, e o coronel reformado da Polícia Militar Wilson Consani Júnior.