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Médicos divergem sobre a interrupção da menstruação

Médicos divergem sobre a interrupção da menstruação

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Data de Publicação: 7 de julho de 2008
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CLÁUDIA COLLUCCI

Polêmica surgiu desde que ginecologista defendeu que ciclo é algo antinatural

A interrupção da menstruação é um tema controverso entre os médicos desde que o ginecologista Elsimar Coutinho deu força a essa discussão há 40 anos no Brasil, defendendo que menstruar é algo antinatural.

Há divergências também sobre que métodos poderiam ser usados com maior eficiência, às vantagens e desvantagens e os efeitos colaterais.

O ginecologista Sérgio Rocha, por exemplo, chefe do instituto gaúcho que leva o seu nome, defende que a mulher deve ‘se apropriar’ de seu corpo.

“No momento em que ela se conscientiza de que pode menstruar quando quiser e que isso não trará nenhum desconforto físico e psíquico, ela muda sua qualidade vida. O tratamento evita a oscilação hormonal que causa os sintomas da TPM, trazendo benefícios na vida profissional e pessoal”.

Ele diz que a mulher tem que pesar os riscos e os benefícios, e que é preciso uma atenção especial a hipertensas, fumantes, obesas e diabéticas.

Rocha explica que a maioria dos tratamentos disponíveis para manipular o ciclo menstrual seguem o mecanismo da pílula. Eles ‘enganam a hipófise’, glândula que comanda a produção de hormônios que permitem a ovulação, processo que culmina na menstruação quando não há fecundação.

Para o ginecologista Malcolm Montgomery, uma das técnicas mais indicadas são os implantes feitos na nádega. Ele diz que o método permite selecionar o tipo e a quantidade de hormônios e ser montado tendo em conta o perfil e as necessidades da paciente.

“Temos uma taxa de sucesso superior a 95%. A quantidade de hormônio escolhida varia de acordo com a idade, o índice de massa corpórea, se a pessoa fuma ou se é sedentária. Os efeitos colaterais são benéficos. É possível propiciar mais libido ou favorecer o emagrecimento”, afirma o ginecologista que tem diversas modelos como clientes e diz não ver nenhum prejuízo orgânico a mulher na interrupção da menstruação.

Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas, afirma que, se o objetivo for combater a TPM, “o único tratamento reconhecido internacionalmente como padrão”, ou seja, a primeira opção para tratar os sintomas principais são os inibidores da recaptação da serotonina, determinados tipos de antidepressivos.

Segundo ela, há pacientes cujos sintomas predominantes são físicos, nos quais a interrupção traz benefícios. Porém, a ausência do estrogênio produzido pelos ovários e o excesso de progesterona ingerido podem provocar sintomas como calores, aumento do peso, diminuição da libido, etc.

“Embora em muitos casos necessários, a interrupção só deve ser feita quando as vantagens do método forem maiores que os prejuízos”. Alguns deles foram detectados em pesquisa realizada no HC entre 2000 e 2003, com mais de 300 mulheres.

Já o ginecologista Eliezer Berenstein, que no passado já foi contrário à supressão do ciclo menstrual, hoje considera razoável a tri-menstruação, ou seja, que a mulher menstrue a cada três meses. “Desde que ela tenha indicação para isso”, diz, referindo-se às mulheres com doenças como a endometriose.

Berestein afirma continuar avesso à indicação de implantes à base de hormônios masculinos. “Isso causa a virilização da mulher. Há hipertrofia do clitóris, das cordas vocais. Muitas mulheres que usaram estão arrependidas”. (MP e CC).

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