Rio de Janeiro - Líder na pesquisa Datafolha para a Prefeitura do Rio com 26%, mas também alvo da maior rejeição, 29%, o candidato Marcelo Crivella (PRB) repetiu ontem gesto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2002: lançou uma “Carta ao Povo do Rio de Janeiro’’, assumidamente inspirada na “Carta ao Povo Brasileiro’’ de seis anos atrás.
O marqueteiro de Crivella é Duda Mendonça, o mesmo de Lula em 2002. Se o petista queria “tranqüilizar o mercado, os empresários e os eleitores’’, como lembrou textualmente Crivella em seu manifesto, o senador integrante da Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) teme que sua filiação religiosa lhe tire votos. “Gostaríamos de que essa carta pudesse de alguma forma derrubar preconceitos’’, afirmou em entrevista.
Em três páginas e 12 itens, sua carta reconhece que a candidatura gera “inquietações naturais’’. Para diminuir as resistências, Crivella prometeu não ter entre os secretários municipais nenhum membro da Iurd. Ele não citou o nome da agremiação. Referiu-se a ela como “minha Igreja’’. “Não serei de forma alguma o prefeito de uma instituição religiosa.’’
Comprometeu-se a assegurar a “liberdade religiosa’’ e a “liberdade de expressão’’. Em todo o país, pastores e fiéis da Iurd acionam judicialmente jornalistas e empresas jornalísticas - inclusive a Folha de S.Paulo - que veicularam reportagens sobre a Universal.
Depois de criticar há três meses o concorrente Fernando Gabeira (PV) por defender “homem com homem’’, Crivella agora promete “reprimir qualquer manifestação homofóbica’’. “A base de meu governo será o respeito à diversidade.’’
Em referência ao Carnaval, o antigo pastor da Universal pediu: “Não temam qualquer tentativa de patrulhamento sobre o estilo desta festa popular’’. Embora seu manifesto prometa tratar todas as organizações jornalísticas de “forma igualitária’’, em entrevista hoje de manhã Crivella alfinetou “setores da mídia terrivelmente desfavoráveis à nossa campanha’’. A TV Record é ligada à Iurd. Crivella sublinhou na carta sua associação ao presidente, com quem quem disse ter “grande amizade’’.