Nei Conceição - meia do Botafogo e CSAJosé de Oliveira Ramos
(joseoramos2006@ig.com.br)
Quem conheceu e ouviu falar da época de ouro do Botafogo, quando o time da categoria Sub-20 era comandado por Mário Jorge Lobo Zagallo, depois de descoberto e lapidado por Neca, não vai achar que é exagero afirmarmos aqui que, Nei Conceição é uma mistura melhorada de Dequinha, Danilo Alvim, Didi e Ademir da Guia.
Fluminense de nascimento, Nei da Conceição Moreira, ou simplesmente Nei Conceição, nasceu em São João do Meriti (estado do Rio de Janeiro) no dia 8 de dezembro de 1946.


Com rápida passagem pelo Pavunense, da Pavuna, Estado do Rio de Janeiro, Nei Conceição chegou ao Botafogo em 1964, trabalhou dois anos com Neca e assinou contrato de profissional com o Botafogo de Futebol e Regatas em 1966, permanecendo no alvinegro carioca até 1974.
Elegante em campo, Nei Conceição lembra de muito perto os mais clássicos jogadores do futebol brasileiro. Temperamental – daqueles que não levam desaforo para casa – Nei foi um dos principais jogadores do Botafogo na conquista do bicampeonato carioca de 67/68, sob o comando de Zagallo. O time, entretanto, não era apenas o melhor do Rio de Janeiro. Esteve, nessa época, entre os dois melhores do Brasil.

O Botafogo comandado por Zagallo em 68, atuava num esquema tático 4-3-3. Os três jogadores do meio-campo eram, ao mesmo tempo que marcadores, excelentes armadores: Carlos Roberto, Nei Conceição e Gerson. Na frente, um ataque que foi inteirinho convocado para a Copa do Mundo de 1970: Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo César Lima.
Embora o papel de marcador-armador destinado à Nei Conceição fosse facilitado pela exuberância do futebol de Gerson e Carlos Roberto, o time jogava por música e os gols saíam em profusão.
Já em 1972, sem Zagallo e principalmente sem Gerson (foi para o São Paulo), Paulo César Lima (foi para o Fluminense), Roberto Miranda (foi para o Corínthians), Jairzinho (foi para o exterior e depois voltou para o Cruzeiro), Nei Conceição teve que se contentar em ser o “craque isolado” do time.
Ainda assim, o Botafogo tinha nomes de renome nacional, como o tricampeão mundial Brito, Wendell, Osmar Guarnelli, Marinho Chagas, Zequinha, Ademir Vicente (o maior marcador de Zico), além do artilheiro argentino Fischer.
No ano que chegou ao Botafogo (1966), Nei Conceição foi campeão do Torneio Ramon Carranza, realizado na Argentina; em 1967, foi campeão do Torneio Início do campeonato carioca; da Taça Guanabara e carioca; e do Torneio de Caracas (Venezuela).
No ano de 1968, ainda sob o comando de Zagallo, Nei Conceição foi bicampeão da Taça Guanabara; bicampeão carioca; campeão da Taça Brasil; bicampeão do Hexagonal do México; e bicampeão do Torneio de Caracas (Venezuela).
Em 1970, quando era treinador do Botafogo, Mário Jorge Lobo Zagallo assumiu o comando da Seleção Brasileira que conquistou o tricampeonato mundial. Nei Conceição foi um dos convocados, depois de ter-se sagrado tricampeão do Torneio de Caracas (Venezuela), com o Botafogo.
Pouco tempo, entretanto, Nei Conceição permaneceria entre os selecionados. O temperamento forte contribuiu para a sua saída do selecionado brasileiro.
Os passes precisos em campo, senso de colocação e marcação, sempre “tirando a bola com uma pinça” dos pés dos adversários, Nei Conceição figura no álbum dos mais clássicos e melhores jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos.
Depois de deixar o Botafogo, em 1974, Nei Conceição ainda defendeu o CSA de Alagoas, onde encerrou carreira de jogador profissional. Atualmente, autêntico peladeiro, Nei Conceição é funcionário público municipal do Rio de Janeiro e reside na Ilha do Governador, onde costuma reunir com amigos dos tempos de Maracanã.