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Usuários apontam desconforto como principal vilão em São Luís

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Data de Publicação: 6 de julho de 2008
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Por José Linhares Jr.

TRANSPORTE PÚBLICO

São Luís possui uma frota de aproximadamente mil ônibus destinados ao transporte coletivo de quase um milhão de habitantes. O Sistema Integrado de Transporte (SIT) conta com cinco terminais que congregam mais de 150 linhas. Durante a última semana o Jornal Pequeno foi às ruas para saber a opinião da população a respeito do transporte público na capital maranhense. Na maioria das vezes, o desconforto foi apontado como o principal vilão do sistema.

O estudante José Almeida Santos, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), utiliza todos os dias a linha Uema/Ipase para ir até a universidade, ele mora no Recanto Vinhais. Para José Almeida, a linha satisfaz em relação ao número de veículos, contudo, o conforto deixa muito a desejar. “Algumas cadeiras são de plástico duro. Além disso, alguns ônibus são sujos e outros, de tão velhos, fazem um barulho horrível durante a viagem inteira”, disse.

As reclamações de José Almeida são as mesmas de Cláudio Guterres Soares, garçom na avenida Litorânea. “Tenho que pegar dois ônibus para ir ao serviço todo dia, pois moro no Coroadinho. De casa até o local onde trabalho, passo momentos ruins com o estado dos ônibus e com as filas enormes no Terminal da Integração”, declarou.

O longo tempo em pé nas filas à espera por um ônibus está entre os desconfortos apontados pelos usuários

As filas apontadas por Cláudio Guterres nos terminais de integração são velhas conhecidas dos usuários que utilizam o sistema de transporte em horários de pico. Manoel Cruz, gerente do SIT, afirmou que a Prefeitura de São Luís tem conhecimento do problema. “Sabemos que em horários de pico os terminais incham o que provoca um grande volume nas filas. Mas, a Prefeitura usa tudo o que está a seu alcance para minimizar isso”, explicou.

Um dos exemplos de Manoel Cruz foi a linha Vila Nova, da área Itaqui-Bacanga. Em horários de pico a fila para esta linha no Terminal da Integração da Praia Grande chega a abrigar centenas de pessoas. “Por conta disso, nós colocamos quinze ônibus expressos nos horários das 6h30 às 8h e mais quinze no horário das 17h30 às 20h”, informou.

Os ônibus expressos citados por Manoel Cruz coletam pessoas apenas na área Itaqui-Bacanga e as transportam direto para o terminal na parte da manhã. No fim da tarde, eles fazem o trajeto inverso.

Usuários pagam por mau serviço

Sobre a falta de ônibus, Manoel Cruz informou que a cidade de São Luís possui um déficit de 100 veículos atualmente. Mas, segundo ele, a aquisição de novos veículos poderia onerar o sistema e influenciar no aumento no preço das tarifas. “O transporte público de São Luís não possui qualquer tipo de subsídio público. Sendo assim, todos os custos do sistema são repassados para a tarifa. Isso significa que mais conforto nas linhas incidiria diretamente no aumento das passagens”.

A questão da segurança

O recente episódio em que um cobrador foi baleado na área Itaqui-Bacanga retomou o debate a respeito da segurança nos ônibus. Para José Rodrigues algo deve ser feito urgentemente. “O sistema de transporte público começou a ser alvo de muitos assaltos. É preciso que a Prefeitura e o governo do estado tomem providências a respeito disso”, explicou.

Cláudio Guterres afirmou que a onda de assaltos preocupa. “Eles (assaltantes) entram em alguns ônibus e fazem o ‘raspa’ em todo mundo. Além de perder o pouco que já tem, o passageiro corre o risco de ser alvejado por uma bala ou ferido a faca”.

O garçom também deu sugestões para a resolução do problema. “Ônibus fazem rondas pela cidade. Acho que policiais dentro de algumas linhas iria economizar combustível do governo e dar mais segurança aos passageiros”.

Batalha tarifária vencida

Um dos pontos de maior destaque da atual gestão, no que diz respeito ao transporte publico, foi a manutenção do preço das passagens nos últimos anos. Em 2004 a passagem mais cara de São Luis era de R$ 1,80, e o salário mínimo R$ 260. cerca de quatro anos depois, a passagem mais cara custa menos e o salário mínimo é de R$ 415.

“A atual gestão centrou esforços na contenção do aumento de passagens nos últimos anos e conseguiu manter os preços em um patamar baixo. Sem dúvida alguma, esta foi uma vitória dois usuários”, frisou Manoel Cruz.

Apesar do otimismo, Manoel afirmou que outras etapas devem ser vencidas. “Hoje em dia as reclamações em relação ao conforto do sistema são uma realidade. Contudo, encaramos isso como uma possibilidade de evolução, como mais uma etapa a ser vencida”, disse.

São Luís possui cinco terminais que são responsáveis pela integração de cerca de 90% do transporte público

Sucatas sobre rodas causam indignação

O estado de conservação dos veículos foi um ponto bastante abordado pelos usuários. “Alguns ônibus são muito velhos, acho que a Prefeitura deveria tomar uma providência urgente em relação a isso. É um sofrimento ir para o serviço, em vez de chegar animado para trabalhar a gente tem vontade é de voltar para casa, devido ao cansaço e à indignação com a precariedade dos ônibus”, disse a comerciária Manoela Trindade.

Foto:G.FERREIRA
Ônibus novos são privilégio de poucos em São Luís

A lei que regulamenta o estado de conservação dos ônibus (3430 de 1996) permite que coletivos com até dez anos continuem circulando. José Rodrigues, presidente do Sindicato dos Rodoviários, afirmou que as empresas não têm a mínima preocupação com isso. “Alguns ônibus que circulam em São Luís possuem mais de dez anos. É comum eles ficarem no ‘prego’ por problemas mecânicos e uma parte considerável nem mesmo é higienizada. Acredito que isto é um desrespeito com o usuário”.

Um exemplo do que José Rodrigues disse foi passado à reportagem do JP por usuários da linha Socorrão II/Rodoviária. Eles disseram que na noite da última quarta-feira, 2, o ônibus de número 13-001, da empresa Mouraújo, quebrou o eixo de transmissão, deixando pedaços da peça espalhados pelo asfalto da avenida Lourenço Vieira da Silva. E que, por pouco, não causou uma tragédia, pois o motorista estaria em alta velocidade.

Manoel Cruz confirmou a informação de que alguns ônibus estão fora do que rege a legislação. “Existem cerca de 220 ônibus fora dos padrões, mas nós devemos renovar uma parcela significativa deles ainda este ano”.

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