O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) enviou uma carta ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na qual afirma que foi “induzido ao erro” por um técnico da pasta ao criticar o acordo fechado entre o governo do estado e usineiros para a recuperação da mata ciliar.
Na terça-feira passada, o ministro havia se referido ao acordo como uma “lambança generalizada” feita com “apoio político e impunidade”, que poderia criar uma barreira para a exportação de álcool produzido no país.
Na carta, enviada ao governador na quinta-feira, o ministro volta atrás e afirma que o termo de compromisso firmado com os usineiros garante o complemento de renda a trabalhadores rurais e compromete os empresários com o reflorestamento de áreas “historicamente por eles devastadas”.
Minc afirma também que o acordo, que prevê o plantio de seis hectares de mata ciliar por ano por usineiro, não isenta os empresários de cumprir a legislação e “passar pelo crivo do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do Ministério Público Federal”.
No documento, o ministro cita o “engajamento histórico” de Campos “ao lado dos trabalhadores, da legalidade e do meio ambiente”.
Apesar de elogiar o governador, o ministro manteve as críticas feitas aos usineiros. “Fato objetivo é que usineiros de Pernambuco, conforme consta em laudos, fotos e processos, não respeitam a lei que protege 50 metros de cada margem dos rios e plantam cana até a fronteira de suas águas, poluídas por vinhoto e rejeitos”, diz em trecho da carta.
O ministro Minc lembrou que foi recebido em Argel (Argélia) pelo governador Miguel Arraes (1916-2005), avô do governador, quando foi exilado.
(Folha Online)