O secretário de Finanças do Sindicato dos Urbanitários, Fernando Pereira, que era o presidente do Sindicato, na época da privatização da Cemar, disse ontem que a luta do Sindicato agora é no sentido de que a Cemar seja federalizada, passando a ficar sob o controle da Eletrobrás. “Pelas informações que se tem, as companhias que foram federalizadas, como a do Acre, Alagoas e Rondônia, estão sendo bem geridas, estão dando lucros e servindo bem a população, que é o que não acontece com a Cemar”, declarou Fernando Pereira.
Em artigos publicados no jornal Folha de S. Paulo, o jornalista Luís Nassif chegou a denunciar que o processo de privatização da Cemar foi fraudulento, para favorecer o grupo GP/Pactual. De acordo com o jornalista, o grupo vencedor da privatização foi favorecido por informações privilegiadas.
Para o secretário de Finanças do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão, se o Ministério Público se dispuser a apurar o caso, a investigação pode até mesmo redundar na anulação do processo de transferência acionária da Cemar, que antes se encontrava sob intervenção da Aneel. Na época, as demais empresas que tentaram se habilitar ao processo foram prejudicadas. Os concorrentes só podiam ter acesso a uma sala específica montada dentro da Cemar, uma espécie de dataroom, para que nenhuma concorrente fosse privilegiada, mas agora fica cada vez mais evidente que o grupo GP tinha acesso a informações privilegiadas.
Uma assistente financeira da Cemar é apontada como a pessoa que, na época, era ponte das informações privilegiadas que o GP dispunha, em detrimento ao interesse dos outros grupos que concorriam para aquisição do controle acionário da Cemar, inclusive o fundo norte-americano disposto a injetar dinheiro na empresa, citado numa das reportagens de Luis Nassif.