A discussão política do momento é se devemos divulgar ou não os candidatos de ficha suja. O cerne da questão está precisamente em saber se aquele contra o qual pesa um processo, geralmente uma ação impetrada por seus adversários políticos, mas que não tenha decisão transitada em julgado, pode ou não ser candidato.
A dúvida paira exatamente no fato de que adversários políticos podem processar seus concorrentes apenas para impedir uma candidatura que ameaça seus projetos eleitorais.
Mas que dizer daqueles que acumulam denúncias e ações de improbidade administrativa que às vezes são tantas e, por conta da morosidade da justiça brasileira, de recursos e mais recursos, se mantém imunes ao julgamento final da Justiça.
A imunidade parlamentar já gerou criminosos de todos os tipos, inclusive narcotraficantes, assassinos que buscavam no parlamento um meio de escapar da Justiça. Isto gerou uma casta de intocáveis que podiam agir contra o Estado e contra pessoas humanas porque estavam protegidos pelo manto parlamentar.
O legislador, em momentos como esse, se sente num beco sem saída e o Poder Judiciário mal pode reagir para impedir que o povo eleja corruptos contumazes. A Associação dos Magistrados do Brasil pediu licença à Justiça pára divulgar,através de outdoors e da imprensa os candidatos de ficha suja. Só que no bojo dessa discussão surgem juristas renomados dizendo que o eleitor, antes de depositar seu voto, tem que ter conhecimento da vida pregressa dos candidatos. Em outras palavras, o eleitor também teria culpa no cartório.
Em nossa modéstia opinião cabe ao Congresso Nacional elaborar uma lei que ponha fim a essa dúvida atroz. Muitos dos parlamentares estarão legislando contra eles mesmos. Mas a Nação precisa saber porque gente como Roberto Jefferson e Fernando Collor de Melo reconquistaram seus mandatos depois de terem seus direitos políticos cassados por crimes contra o patrimônio público. E porque tantos outros, inclusive no Maranhão, envolvidos em ações de improbidade, processados, julgados, retornam ao poder pelo voto do povo. É como se a ficha suja dos candidatos fosse limpa por quem menos se esperava: o eleitor.
Como diz o ditado popular, a corda só quebra do lado mais fraco e, em sendo assim, os corruptos continuam sendo representantes do povo e o povo, por desconhecimento de causa, é o culpado dessa marginalidade eleitoral que acontece no Brasil.