POR OSWALDO VIVIANI
OPERAÇÃO 'TARJA PRETA'
A Polícia Civil do Piauí desencadeou, na madrugada de ontem, em cinco cidades do Piauí, a Operação Tarja Preta, com o objetivo de desmantelar uma quadrilha que vendia medicamentos controlados sem orientação da Vigilância Sani-tária. Ao menos 19 pessoas foram presas em Barras, Campo Maior, Piripiri, Luzilândia e Teresina. Pelo menos outras 10 pessoas ainda estavam sendo procuradas pela polícia ontem. Entre os presos está um policial civil. Só em Campo Maior, foram apreendidos perto de 1.500 comprimidos de Cytotec, medicamento para úlcera gástrica que geralmente é usado para provocar aborto.
Vazamento – A operação era para ser deflagrada hoje, mas foi antecipada para ontem porque houve vazamento. Em conversa por telefone com a reportagem do Jornal Pequeno, o delegado geral da Polícia Civil do Piauí James Guerra, que chefiou a operação, informou que a polícia está certa de que o vazamento saiu do Fórum de Campo Maior.

Embora o delegado Guerra tenha preferido não citar nomes, o JP apurou que a polícia suspeita de que o juiz José William Veloso Vale, de Campo Maior, seria a pessoa que avisou alguns envolvidos na “Máfia dos Remédios” de que a ação policial iria acontecer.
Uma fonte policial revelou que dois delegados chegaram ao gabinete do juiz por volta das 13h de quarta-feira, 2. Antes das 13h10, um dos suspeitos já havia sido avisado de que seria preso. O telefonema do juiz teria sido dado de um bar. O suspeito foi alcançado pela polícia no Terminal Rodoviário, quando tentava fugir de ônibus. Até a tarde de ontem, haviam sido presas as seguintes pessoas – algumas delas identificadas apenas pelo primeiro nome ou apelido: José Júnior de Oliveira Souza (policial civil de Teresina, lotado no 22º DP, na Santa Maria da Codipi); Paulo Henrique Alves da Silva (Teresina); Eudimar Barbosa Amancio (Piripiri); Djavani Ramos Lopes de Melo (Piripiri); Luis Carlos Alves da Cruz (Campo Maior); Gilcélia Francisca Lima Alves (Campo Maior); Zeca (proprietário da Barraca do Zeca, em Campo Maior); Heleny Rodrigues Lopes (Piripiri); Manoel Moacir de Melo Souza (Piripiri); José Monte Marinho Júnior (Campo Maior); Raimundo Clemildo Gomes; Antônio Bernardo Silva Santos (Luzilândia); Gerson (da Farmácia Santa Luzia, em Barras); Adriana Araújo Ribeiro (da Drogaria Herculano, em Luzilândia);
Maria Antônia Carneiro Pinto (da Drogaria Unifarma, em Luzilândia); Antônio Juvêncio de Castro (Campo Maior); Gonçalo Francisco de Oliveira (Campo Maior); Francisco George Alves Nunes (Campo Maior); e Gilberto Lima Alves (Campo Maior).
Maranhão no ‘esquema’ – Entre os medicamentos comercializados pela “Máfia dos Remédios” estão o abortivo Cytotec, o estimulante sexual Pramil, o anti-reumático Rheumavin e os psicotrópicos Senobarbital e Diazepan. A polícia descobriu que alguns, com venda proibida no Brasil, vieram do Paraguai. Outros, os membros da quadrilha usavam o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) de prefeituras e ligavam para as distribuidoras. Os produtos vinham do Maranhão. Agora, a polícia quer saber como as empresas vendiam esses medicamentos.
As investigações que levaram à Operação Tarja Preta tiveram início há nove meses, depois de uma denúncia feita pelo Conselho Tutelar de Barras ao secretário de Saúde do Piauí, Assis Carvalho.
(Com informações dos portais Cidade Verde e AZ)
Auxiliar de enfermagem fazia abortos clandestinos
Uma das pessoas presas na Operação Tarja Preta, a auxiliar de enfermagem Heleny Rodrigues Lopes, trabalhava há mais de 30 anos no Hospital de Piripiri, mas fazia abortos numa "clínica" clandestina de sua propriedade.

Quando os abortos davam problemas em sua "clínica", Heleny Lopes levava as pacientes para o hospital público onde trabalha.
No final da manhã de ontem, a Polícia Civil do Piauí divulgou áudios das interceptações telefônicas dos envolvidos na "Máfia dos Remédios".
Foi por meio dessas conversas telefônicas que a polícia conseguiu subsídios para efetuar as prisões, identificando os acusados e a extensão dos negócios da quadrilha.
Num dos áudios, com data de 4 de junho passado, Heleny Lopes fala com Raimundo Clemildo Gomes sobre um aborto que realizou, retirando um feto de quatro meses. Diz que teve bastante trabalho devido ao tamanho do feto.
As cidades de Barras e Piripiri - alvos da Operação Tarja Preta - estão entre os municípios com maior índice de abortos no Piauí.
(O.V., com informações dos portais c idade Verde e AZ)