MEIRELLES EMPATA
RIO – Zé Baioneta, sapateiro muito prendado lá de Remanso, na Bahia, bebia muito. Bebia demais. Recebeu um dinheiro do cabo chefe do destacamento policial para fazer uma bota, bebeu o dinheiro, não conseguiu comprar o couro, começou a se esconder do cabo.
Uma tarde, já noitinha, ia voltando para casa bem chumbado, encontra o cabo na esquina:
- Zé Baioneta, e minha bota?
- Vou fazer, seu cabo. Tive uns problemas mas vou fazer.
- Faça logo, urgente. Você recebeu meu dinheiro e está me deixando desmoralizado na cidade com essa bota estragada, furada, uma vergonha.
- Nada disso, seu cabo. Eu vou lhe dizer uma coisa. Aqui em Remanso não tem ninguem tão importante quanto o senhor. É mais importante do que o prefeito Marcelino Régis e do que o deputado Carlos Ribeiro.
- E do que Deus?
Zé Baioneta pensou um pouco:
- Aí empata.
Meirelles é o cabo de Remanso do governo Lula. Ninguém é mais importante do que ele. Empata com Deus. E Lula é seu Zé Baioneta:
“Consequencia da explosão das remessas de lucros e dividendos pelas multinacionais, o déficit do primeiro semestre de 2008 foi o pior da história das transações com o exterior, desde 1947” (Patrícia Duarte, Globo)
E Meirelles aumentando os juros no BC, o sindicato dos bancos.
JOSÉ MÚCIO
Nascido na mais fina linhagem do conservadorismo canaveiro de Pernambuco, a dos Monteiro (o ex-ministro Armando Monteiro é seu tio), o deputado José Múcio chegou à Câmara Federal em 91, pelo PDS, depois de ter sido vice-prefeito e prefeito de sua terra, Rio Formoso, pela Arena.
Entrou no PFL e começou devagarinho, como quem não queria nada. De repente, pulou para o PTB e, logo no governo “proletário” do “camponês-operário” Lula, virou ministro da Articulação Política e uma unanimidade no Governo. Elegante, civilizado, bem falante, está todos os dias nos jornais com frases inteligentes e bem humoradas. A ultima foi:
“É só o que tem aqui (na base do governo): bolo e rolo. O dia em que não for assim, perco meu emprego”.
Já o querem até para vice na chapa do PT em 2010. Nessa ele não vai. Usineiro sabe a terra onde dá cana.
MAÇONARIA
No começo do ano, contei aqui que Lula havia arranjado mais um partido político para sua base de governo: a Maçonaria. E que o acordo começava pela nomeação do maçom, com nome espírita, Alan Kardec, para presidente da subsidiária da Petrobras para os biocombustíveis.
Agora, saiu afinal a diretoria da subsidiária dos biocombustíveis: presidente, Alan Kardec. Lula cumpriu o negociado. Mais votos na Câmara.
ARACAJU
No “Globo”, com a aliança PCdoB- PT-PSDB em Aracaju, o Jorge Bastos Moreno diz que “das seis capitais em que o primo pobre, o PCdoB, tem chances de ganhar, o PT só se coligou em duas: Aracaju e São Luís”,
Na verdade, só em uma, São Luís. O exemplo de Aracaju não vale. Em Aracaju, o PT apoiou o PCdoB na marra. Não tinha outra saida. O candidato a prefeito Edvaldo Nogueira já era vice de Marcelo Deda. Deda candidato a governador (depois eleito), Edvaldo Nogueira assumiu a prefeitura desde abril do ano passado. Candidato agora à reeleição, ou o PT aceitava indicar seu vice, ou ficava fora da eleição. E o vice seria do PSDB.
Em Aracaju praticamente não haverá disputa. A senadora Maria do Carmo está doente e por isso o ex-governador João Alves não é candidato
PARTIDO FEMININO
O Jorge Moreno está é certo quando fala no partido feminino. Foi preciso haver uma guerra na floresta amazônica e o PCdoB virar mesmo um partido, para o Brasil ter um partido mais feminino do que masculino.
Jô Morais, do PCdoB, está comandando as eleições em Belo Horizonte. A bela Manuela D’Ávila, também do PCdoB, é candidata a prefeita de Porto Alegre (e com chances reais). Ângela Albino (PCdoB) (“de beleza irresistivel e contagiante”, segundo Moreno), é candidata em Florianópolis. E há outras, candidatas a prefeitas ou vices, pelo país afora.
Para os homens, coitados, só coube a vice de Marta Suplicy, em São Paulo: o exemplar Aldo Rebelo, candidato ao pelotão de fuzilamento. Maldade do presidente nacional do PCdoB,o bravo baiano Renato Rabelo.
É curioso que o partido das mais bonitas candidatas tenha sido criado por três dos homens mais feios da história política do país: João Amazonas, Diógenes Arruda e Maurício Grabois (o supercampeão foi Nereu Ramos).
CÉSAR E GIL
Tempos houve em que os políticos pediam demissão e não saiam. Agora, César Maia e Gilberto Gil inverteram: saem e não pedem demissão.
Há três anos, César Maia, reeleito prefeito do Rio, assumiu, sumiu, saiu. Mas demissão não pediu. E o Rio está abandonado como nunca se viu.
A rima Gilberto Gil passa mais tempo fazendo shows pelo mundo afora do que trabalhando no ministério que assumiu, onde recebe seu salário e tem toda uma infra-estrutura trabalhando pelo sucesso, não da cultura nacional, mas do artista baiano. Grande, notável artista, mas ministro sumido. Sem falar nas limusines, almoços e facilidades das embaixadas. O ministério da Cultura virou o florado ministério da Giltura.
(www.sebastiaonery.com.br)