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Editorial
Analfabetismo alarmante

Analfabetismo alarmante

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Data de Publicação: 31 de julho de 2008
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O motivo deste editorial é o lançamento do Plano de Alfabetização Educadora do Maranhão. Os lançamentos estatísticos considerados buscam destacar a oportunidade de um plano como esse. E chega a ser incrível a constatação de que 766.886 pessoas maranhenses permanecem privadas do significado das letras. Um absurdo alarmante e lamentável.

A declaração da Secretária Adjunta da Educação, Maria de Jesus Gaspar, incluindo a educação como "uma expressão da defesa do princípio da dignidade humana contra as formas várias de violações", não é apenas uma constatação de cunho filosófico-pedagógico. É uma verdade irremovível.

Estudiosos como Alceu Ravanello Ferraro entendem que as análises dos níveis de analfabetismo e letramento nos censos demográficos do Brasil não correspondem à realidade. Ele defende as estatísticas, mas mostra que queixas contra elas atravessaram a República a cada um de seus períodos até o presente. Cita Flecher que acusou as estatísticas do MEC de produzir o superdimensionamento das matrículas, da evasão e da aprovação e de subdimensionar a reprovação e a repetência.

Ferraro discorda, inclusive sociologicamente, dos que vêm no analfabetismo sinais de incapacidade, pouca inteligência e proverbial preguiça. Sob um enfoque estritamente demográfico, Marcelo Medeiros de Souza mostra que a taxa de crescimento da alfabetização no Brasil, através dos tempos, é muito baixa. No ano de 1900 eram 3.380.451 os alfabetizados e 6.348.869 os analfabetos. Em 1991 eram 76.603.804 os alfabetizados, mas os analfabetos somavam quase 20 milhões.

No ano de 2003, 16 milhões de analfabetos vagavam no Brasil, concentrados em apenas 10% dos municípios do país. Levando-se em conta o analfabeto funcional (pessoas com menos de quatro séries de estudos concluídas) este número explodia o Brasil com 33 milhões de analfabetos.

A queda de 29,1% entre 1996 e 2006 não afastou o Brasil do segundo maior índice de analfabetismo da América do Sul. Um em cada cinco nordestinos continua dizendo ao censo que não sabe ler nem escrever.

Além do Plano há o Pacto pela Alfabetização Educadora no Maranhão que deve unir prefeitos, secretários municipais de educação, diretores de escolas, professores alfabetizadores, entidades sindicais e outras da sociedade civil.

Os investimentos do Governo Jackson Lago na educação, criam esse estado de fé ou momento de esperança como prefere o presidente do Instituto Paulo Freire, professor Moacir Gadotti. Fé nesse Estado que em termos educacionais começa a se tornar espelho para a Nação. Estado que através deste Pacto e de quantos mais possam ser construídos, haverá de vencer um dia o analfabetismo que é a vergonha do país e que foi utilizado, criminosamente, para que uma oligarquia se mantivesse no poder por tanto tempo neste Maranhão.

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