O Ministério Público denunciou (acusou formalmente) por homicídio duplamente qualificado os dois policiais militares suspeitos de disparar os tiros que mataram o menino João Roberto Amorim, 3, durante suposta perseguição a criminosos na Tijuca, zona norte do Rio. João Roberto estava com a mãe e o irmão menor no carro, que, segundo a polícia, foi confundido com o veículo onde estavam assaltantes, no dia 6 de julho.
Os dois policiais – o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalvez da Costa Neto, ambos do 6º Batalhão de Polícia Militar (Tijuca) – já estão presos temporariamente desde o dia 9, a pedido do delegado Walter de Oliveira, que investiga o caso. A prisão temporária tem prazo de 30 dias.
O Ministério Público informou que apresentou a denúncia na noite de segunda-feira, 28, e espera para esta terça a decisão da Justiça. O promotor Paulo Rangel, do Segundo Tribunal do Júri, autor da denúncia, pede a prisão preventiva dos policiais, que ele classificou de covardes.
Caberá à Justiça aceitar ou não a denúncia – ou seja, decidir se abre ou não processo contra os envolvidos. Caso a denúncia seja aceita, os PMs passam a ser réus e, após a conclusão do processo, vão a julgamento. Em qualquer uma das fases do processo judicial, cabe recurso.
Tiros – O promotor afirmou ainda que imagens feitas por um prédio na rua do crime deixam claro que não havia perseguição nem tiroteio no momento em que os policiais atiraram. “Eles acreditavam que os criminosos estavam dentro do carro. Mas isso não os isenta de crime. Seria diferente se eles quisessem matar os bandidos que estavam atirando contra eles, errassem os tiros e matassem o menino. Mas as imagens provam que isso não aconteceu”, disse Rangel.
Rangel denunciou os dois policias por homicídio duplamente qualificado –impossibilidade de defesa e meio que resulta perigo para as vítimas. Ele ressaltou ainda que os tiros disparados pelo cabo e pelo soldado também podiam ter acertado a mãe e o irmão de João Roberto, que também estavam no carro no momento do disparo.
A mãe de João Roberto, Alessandra Amorim, havia encostado o carro para dar passagem aos policiais, que perseguiam supostos ladrões de carro na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, na noite do dia 6 de julho. Mas os dois policiais confundiram o veículo com o dos assaltantes e dispararam contra ele, atingindo o menino na cabeça, que morreu no dia seguinte.
Em perícia, a Polícia Civil constatou que o carro de Alessandra Amorim foi atingido por 28 tiros, todos disparados pelos policiais.