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Editorial
Como José Sarney era feliz ou 'Prendam a Polícia'

Como José Sarney era feliz ou 'Prendam a Polícia'

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Data de Publicação: 3 de julho de 2008
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Crescem a cada dia os esforços de políticos e autoridades, reacionários e a extrema direita para transformar o Brasil num Estado Policial, num país em que os hinos à liberdade sejam convertidos em cantigas marciais e toques de recolher. Querem, a todo custo, recolher a imprensa às masmorras ditatoriais de que sentem tanta saudade.

Recolha-se, pois, a imprensa à sua insignificância; recolha-se à cadeia o diretor do Jornal Pequeno, jornalistas e cronistas que neste órgão de comunicação ousaram desafiar os barões da Gautama; recolha-se aos calabouços os membros do Ministério Público e essa Polícia Federal que ousa investigar os poderosos; recolha-se ao silêncio dos gabinetes luxuosos os Procuradores que extrapolam suas funções quando denunciam milionários corruptos; afinal de contas, o Poder Judiciário foi constituído apenas para julgar pobres, negros e... alguns jornalistas. Fora disso, tudo passa a constituir abuso de poder.

O que acontece aqui é a covardia sem limites. Não têm a coragem para entrar com ações penais e cíveis contra o jornal “O Estado de São Paulo”, nem de pedir a prisão dos repórteres e da direção da Revista Veja e querem enfiar na cadeia o diretor do Jornal Pequeno. Não suportam que a gente perceba que no inquérito que deu origem à Operação Navalha Sarney é o sobrenome mais citado; não querem que se transcrevam as denúncias do jornal “O Estado de São Paulo” com relação aos Sarney e à Gautama; não querem que o povo do Maranhão saiba o que a revista Veja está noticiando sobre o mesmo assunto.

Como Sarney devia ser feliz nos tempos em que uma notícia de corrupção dava cadeia para os denunciantes e gente como ele, na qualidade de pingentes da ditadura militar, podia apagar jornais, incendiar livros e até ocultar a tortura e morte de intelectuais. Como foi feliz o nosso senador nos tempos em que as decisões dos juízes dependiam da direção para onde apontavam as baionetas; quando a Ordem dos Advogados do Brasil não tinha autonomia e vivia às voltas com cartas bombas; quando um Ministério Público silente estava limitado a apurar crimes de ladrões de galinha e saltadores de muros da classe média; quando a liberdade de expressão estava castrada pelo peso das próprias leis ditadas pelo regime de exceção.

Não se acuse, pois, a Polícia Federal de ser a responsável pelo Estado Policial que se avizinha. Esse tipo de Estado, neste momento, está sendo montado contra a imprensa, contra os promotores públicos, contra os procuradores da Justiça, contra qualquer um que no Brasil tenha sonhado com a liberdade ou dado o futuro e a vida para alcançá-la. O Estado policial é uma reinvenção dos corruptos. Somente através dele, eles conseguem se proteger.

Nós não investigamos nada. Tudo o que foi dito e transcrito aqui consta de inquéritos da Polícia Federal ou foi publicado na imprensa do país. Prender Lourival Bogéa, portanto, não vai lhe adiantar de nada, senador. Não vai mudar gravações autorizadas pela Justiça, nem apagar as anotações da agenda de Zuleido Veras e de outros empresários sem escrúpulos.

A única saída que lhe resta para fazer cessar as acusações contra Fernando Sarney, Roseana Sarney, Ernane Sarney e outros tantos Sarney é prender a Polícia Federal, ou modificar totalmente a política anti-corrupção do Governo Lula. Mas é possível, ou pelo menos provável, que seu poder de polícia não chegue para tanto.

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