SÃO PAULO
A coordenação da campanha de Marta Suplicy (PT) irá pedir que a Justiça Eleitoral investigue se houve uso da máquina pública pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição. Kassab enviou e-mails para subprefeitos pedindo uma “ação” de modo a tentar influir na última pesquisa Datafolha.
A mensagem foi enviada em 23 de julho – o primeiro dos dois dias de campo do levantamento, que apontou Kassab em terceiro lugar (11%).
O candidato do PSOL, Ivan Valente, protocolou no cartório da 1ª zona eleitoral paulistana uma representação de abuso de poder contra Kassab pelo suposto uso da máquina pública em benefício de sua campanha.
O prefeito negou o uso da máquina pública e repetiu que sua intenção era evitar que adversários, especificamente os petistas, influenciassem o levantamento. Os procedimentos de segurança e a metodologia do Datafolha impedem que ações coordenadas modifiquem o resultado.
Marta Suplicy, que visitou no domingo o Centro de Tradições Nordestinas e a festa anual dos motoristas de ônibus da capital, evitou comentar o caso. “Estou pasma, não tenho palavras”, limitou-se a dizer a ex-prefeita.
Coordenador da campanha petista, o deputado federal Carlos Zarattini (PT) justificou a intenção do partido de ir à Justiça contra Kassab. “Servidor público não é contratado para fazer campanha ou interferir nela.” A Lei Eleitoral prevê punições a quem utiliza cargo público para fins eleitorais. A pena para quem for condenado por tal ilegalidade pode chegar à cassação da candidatura.
O candidato tucano, Geraldo Alckmin, apesar de hospitalizado por conta de uma diverticulite, conversou com aliados e decidiu que não irá entrar com representação contra Kassab.
Dividindo o primeiro lugar nas pesquisas com Marta, o ex-governador disse temer dinamitar as pontes com o prefeito para um eventual acordo na disputa de segundo turno.
Reservadamente, a avaliação dos tucanos é a de que o gesto demonstra “desespero” e “descontrole” de Kassab. E pode afastar o prefeito de seu antecessor e padrinho político, o governador José Serra (PSDB).
(Folha Online)