A campanha política está nas ruas, colorindo cidades do país inteiro, incutindo no povo um clima de festa. Candidatos em busca de votos divulgam seus nomes, abraçam crianças, fazem discursos, criticam os adversários e... fazem promessas.
E nada custa lembrar os 10 milhões de empregos prometidos por Lula ou a exigência legal, pela descrença geral na classe política, de que as propostas dos candidatos sejam feitas por escrito e eles digam também como pretendem viabilizá-las, além de registrar tudo em cartório. Como se isso os impedisse de prometer o que jamais poderão cumprir.
Não bastassem os nomes verdadeiramente escalafobéticos que surgem nas campanhas para incluir apelidos e codinomes nos registros de nascimentos, situações muito mais bizarras podem ocorrer.
Na Polônia, por exemplo, o Partido das mulheres espalhou cartazes com 7 jovens nuas em pêlo para justificar que a política, onde é indiscutível a supremacia masculina, é suja e a nudez simboliza a limpeza.
Marketings grotescos e comportamentos cômicos também freqüentam o cenário político. Candidatos aparecem na mídia conversando com elefantes ou macacos e outros, em sutil atestado de honestidade e sinceridade, fornecem pela televisão os números de seus celulares. Há até os que se anunciam em classificados de sexo, perguntando: “Te animas?
Há candidatos que aparecem travestidos de Pokemon, Batman, Superman, Mulher Maravilha, e por aí vai.
Mas há coisas ainda mais estranhas. Um político japonês, Matayoshi Mitsuo acredita ser Jesus Cristo reencarnado e faz campanhas excêntricas, inclusive incitando os oponentes a cometerem suicídio através do harakiri.
As promessas e atitudes também podem ser bem estranhas. Um candidato foi cassado por manter albergues para pessoas em tratamento de saúde; um outro, Chico da Verdura, perdeu o mandato porque distribuía sopão aos domingos; um terceiro, Antônio da Sinuca garantia o uso gratuito de suas mesas durante todo o mandato para quem lhe garantisse o voto.
E há também os exageradamente ricos. Cássio Cunha Lima, disputando a Câmara Federal, distribuiu nada menos de 35 mil cheques de 150 e 200 reais.
Pior é que ninguém está livre de um processo por falsas promessas. Nem Deus. Um senador do Estado de Nebraska decidiu processar Deus por permitir inúmeras mortes e horror, além de ameaças terroristas. Segundo ele, muito diferente do que havia prometido. E um italiano, condenado a 20 anos de prisão, também entrou na Justiça com um processo contra o Criador, garantindo que entre os dois (ele e Deus) havia um acordo segundo o qual em troca de orações Deus evitaria que ele se metesse em confusão.
Nesse mundo maluco, tudo pode acontecer, mas esse editorial não tem outro objetivo que não o de fazer o leitor pensar muito seriamente sobre as promessas que estão ouvindo de seus candidatos.