JP MEMÓRIA
Após três meses do primeiro mandato, o governo Roseana Sarney não dava nenhum sinal de que combateria a criminalidade. O mês de abril de 1995 foi sombrio para os maranhenses. Foram noticiados pela imprensa assassinatos, assaltos, conflitos de gangue, violência policial e a primeira de uma série de chacinas que marcariam o governo de Roseana Sarney.
Logo no primeiro dia do mês de abril jornais da cidade noticiavam mais uma ação de bandidos que aterrorizavam os bairros da cidade. Dois seguranças foram baleados no Renascença. A ação resultou na morte de José Domingos Fonseca, de 35 anos, e deixou gravemente ferido José Maria Pereira dos Santos, de 28 anos. O crime aconteceu por volta 23 horas, quando um bandido conseguiu tomar a arma de um dos seguranças e investiu contra eles. No mesmo dia, o lavrador Nilton Pereira Lima foi baleado no peito em um conflito de terras no interior do Estado.
No dia 3 de abril morreu o adolescente Francisco de Carvalho Arache Neto, de 16 anos. Baleado na cabeça em um fliperama na Rua do Passeio, Francisco foi mais um jovem que tombou frente a insegurança da época. O jovem, conhecido como Junior Branco, de apenas 18 anos, também teve morte trágica naquele dia, assassinado pelo bandido Cobrakhan no Monte Castelo. Ambos os jovens foram alvejados na cabeça.
Carlos Augusto Santos Junior, vulgo Pelezinho, de apenas 16 anos, foi assassinado no dia 8 de abril em mais um conflito de gangues. Morto por outro menor de 16 anos conhecido como Lobinho, Carlos Augusto morreu com uma facada no estômago. Ambos eram integrantes de gangues rivais que lutavam pelo controle de vários bairros de São Luís.
Após o assassinato de Pelezinho, foram desencadeados diversos conflitos nos dias que se seguiram. Casas foram metralhadas e inocentes foram espancados sem que nenhuma providência fosse tomada pelo governo da época.
Uma das gangues mais perigosas da época, GTK, ilustrou pelo menos cindo vezes o noticiário policial em abril de 1995. Ameaçando moradores e perturbando a ordem na Areinha, o bando agia livre de punições.
Outra chaga do governo Roseana Sarney era a insegurança no trânsito. Os famigerados pegas vitimaram alguns jovens, entre eles Fábio Aranha, que morreu em um acidente causado por um pega na Avenida Colares Moreira. Na época comentava-se que os pegas não eram combatidos por conta de que entre seus integrantes estavam filhos de pessoas influentes no governo.
O fazendeiro Nilson Galindo foi metralhado junto com sua esposa nas proximidades de Santa Luzia do Paruá no dia 4 de abril. O crime chocou a população do interior, da mesma forma como os assassinatos a pauladas de Sami Miranda Coleho Lima, de 21 anos, e Semiramis Coelho Lima, de 89 anos, ambos mortos a pauladas.
Enquanto o governo não conseguia instaurar um clima de segurança no Estado, as rodovias do interior se transformavam em estradas para a perdição. Assim como nos meses anteriores, quadrilhas continuaram espalhando o terror e assaltando ônibus de linhas intermunicipais. No dia 12 de abril, dois homens assaltaram 40 passageiros que seguiam em um ônibus da empresa Princesa do Agreste na BR-316. Poucas semanas depois a rodovia voltou a ser palco de um novo assalto: desta vez um ônibus da empresa Boa Esperança foi assaltado nas proximidades de Imperatriz.
No dia 19 de abril o sargento da PM José Ribamar Nascimento Cantanhede assassinou a tiros o lavrador Antonio João dos Santos. O PM estava embriagado e ainda impediu que populares socorressem o lavrador. Jornais da época noticiaram que o PM estava alcoolizado. O crime aconteceu em Bacuri.
Em 22 de abril Nivaldo Vieira da Silva denunciou a ação de policiais em Santa Luzia. Acusado de roubar uma bola de futebol, o jovem foi preso e espancado por dois dias até confessar o crime.
A criminalidade começou a debochar da própria polícia na época. O PM Naílson Araújo Gonçalves foi agredido a golpes de facão e quase morreu ao tentar manter a ordem em um clube de reggae.
Assaltos diários – Como nos meses anteriores, São Luís continuou sendo alvo de quadrilhas de assaltantes. No dia 4 de abril um assalto a um estabelecimento comercial na Avenida Projetada do Jardim das Margaridas ocasionou um prejuízo de quase R$ 10 mil para a proprietária. No outro dia o empresário Oldemar Fortes Menezes foi assaltado na Vila Embratel e os bandidos levaram mais de R$ 7 mil dele. No mesmo dia uma quadrilha tentou assaltar em plena luz do dia a agência do BEM no Shopping Lusitana, na Cohama.
A audácia dos criminosos era tanta que nem mesmo policiais eram respeitados. Na noite de 8 de abril um grupo de bandidos invadiu a casa do sargento Adão, da PM. Na ação os bandidos levaram dinheiro e três armas do policial.
Menos de uma semana depois mais uma grande ação criminosa. Bandidos invadiram o supermercado Econômico no Maiobão e levaram R$ 4 mil. Já no dia 16 de abril, o alvo da criminalidade foi a Casa Vital da Rua de Santana. Os bandidos fizeram um rombo na parede e roubaram quase R$ 50 mil em mercadorias.
Ser taxista na época do governo Roseana Sarney era uma atividade terrivelmente perigosa. No dia 14 de abril o taxista Emídio Cardoso foi assaltado e torturado por assaltantes. A sessão de tortura lhe rendeu uma ruptura nos rins. O crime aconteceu na Avenida Jerônimo de Albuquerque, uma das mais movimentadas da cidade.
Em 17 de abril, populares encontraram um corpo na linha do trem da Vale. O homem, que não foi identificado, havia sido assassinado com um tiro no tórax. Morte tão trágica quanto a de Raimundo Nonato Martins, morto a punhaladas depois de uma bebedeira.
Um dia depois foi a vez do dentista Paulo César Craveiro ser morto a tiros. O PM Josué Ribeiro da Silva também morreu naquele mês vítima de um disparo durante um tiroteio com um homem identificado apenas como José. O caso aconteceu em Arame e o homem, mesmo sendo cercado por quatro policiais, reagiu e acabou matando um jovem PM. Depois de acertar Paulo, o homem foi alvejado pelos outros policiais e também morreu. Horas depois Raimundo José Costa e Silva, de 29 anos, foi assassinado a facadas na Vila J. Lima.
O dia em que a barbárie triunfou
Foi precisamente no dia 10 de abril que a cidade de São Luís conheceu o primeiro desdobramento mais marcante dos primeiros 100 dias de insegurança pública instaurados com o governo Roseana Sarney. Uma chacina covarde envolvendo cerca de 20 homens vitimou os jovens William Henrique da Silva Macedo, de 26 anos, Dulcinlene Henrique da Silva Macedo, de 21 anos e Marco Antonio Araújo do Nascimento, de apenas 16 anos.
Os jovens foram assassinados na Vila Mauro Fecury II a golpes de facão e tiveram seus corpos desfigurados. A mão direita de William foi encontrada a mais de 100 metros do corpo. Alguns meses antes, um outro jovem, Roswaldo Fonseca Pinheiro Filho, sido assassinado em circunstâncias parecidas.