Joãozinho Ribeiro
Apenas um rapaz latino-americano, como nos diria o antigo compositor cearense, a passear por Havana? Um antigo militante de esquerda, sonhando com a paz e com a integração dos povos deste continente? Um secretário de estado em missão de governo, articulando intercâmbios culturais entre a nação sonhada por Martí e o Maranhão?
Um pouco de cada coisa e muito de uma agenda que se estendeu para além dos órgãos responsáveis pela gestão cultural cubana, ampliando-se aos ministérios da educação (básica e superior), saúde, da ciência e tecnologia.
Na chegada, o primeiro compromisso. Manhã do dia 14/07. Uma segunda-feira. Somos recebidos pelo Presidente da Província de Havana. Nossa comitiva, coordenada pelo Governador Jackson Lago, composta inicialmente pelos Secretários de Saúde, Planejamento, Cultura, da primeira dama, Clay Lago, e assessoras técnicas do IMESC e Relações Internacionais, recebe as boas vindas e uma apresentação preliminar que aborda aspectos relacionados à situação geográfica da província e áreas de interesses cubanos para possíveis celebrações de convênios nos campos da educação, cultura, saúde, comércio exterior, ciência e tecnologia.
Destas destacamos a “toca que nos parte”, como preferiria trocadilhar o compositor maranhense Zeca Baleiro – a área da cultura. É daí que surge a expressão que dá título a este artigo, pronunciada pela primeira vez pelo Presidente da Província de Havana: “A Cultura, para nós cubanos, é espada e escudo da nação”. Sua explanação engloba o Projeto de Reabilitação do Centro Histórico de Havana, o Programa de Universalização da Cultura, e outro mais específico, que trata da disseminação da educação artística, voltada para um público de faixa etária entre 14 e 18 anos, denominado “Instrutores de Artes”.
Dia seguinte, terça-feira, 15/07. Desta feita nos recebe a acolhedora equipe da Oficina del Historiador de la Ciudad de la Habana, assim denominado o órgão dirigente e responsável por todo o processo de “reabilitação” do Centro Histórico da cidade, calcado nas seguintes premissas: integralidade, sustentabilidade e auto-financiamento. Para tanto, conta com um fundo próprio, além de convênios de cooperação firmados com países como a Espanha, Itália e Canadá, e com organismos internacionais, como é o exemplo da UNESCO.
Um sistema empresarial bem peculiar é responsável direto por 70% do financiamento do projeto de reabilitação; outros 21,4% provêm de impostos cobrados dos condomínios de restauração (comerciantes e prestadores de serviços, beneficiários dos resultados); e o restante da cooperação internacional, com foco específico para as áreas de interesse social.
À Oficina do Historiador, autoridade única para a gestão do processo de reabilitação do Centro Histórico de Havana, regressaríamos somente na 6ª feira seguinte (18/07) para o fechamento dos pontos necessários, visando à celebração de convênios de cooperação, incluindo prováveis consultorias especializadas.
De imediato ficou acertada a participação de técnicos maranhenses da área do patrimônio no “7º Evento sobre manejo e gestão de Centros Históricos”, de caráter internacional, a ser realizado em Havana, na 1ª semana de dezembro/2008, precedido de um curso sobre a mesma temática, ministrado por especialistas, previsto para a semana anterior (última do mês de novembro/2008).
Além da ida dos técnicos maranhenses, confirmamos o deslocamento de técnicos cubanos a São Luís para apresentação da experiência modelo de Havana, tópico a ser oficializado junto à Embaixada de Cuba em Brasília, objeto de apreciação na reunião da Comissão Mista Brasil/Cuba, no próximo mês de outubro.
Neste mesmo dia, ainda pela manhã, já com o Secretário de Educação e o Adjunto da Indústria e Comércio integrados à equipe, tivemos uma longa audiência no Ministério da Educação Básica, cujo método de alfabetização de jovens e adultos encontra-se aplicado em 28 países, incluindo o Brasil, Canadá e Espanha. Metodologia que combina números com o letramento, conformando um sistema que prioriza a instrução, a capacitação e a educação.
Em outro momento, na companhia do Secretário de Estado da Educação e do Reitor da Universidade Estadual do Maranhão, fomos recebidos pela equipe do Ministério da Educação Superior, representado pelo assessor do ministro, Dr. Eduardo Cruz González; pelo Chefe do Departamento de Colaboração e Convênios, Dr. Raúl Hernández Pérez; e pela Dra. Bárbara Yadira Mellado Pérez, Diretora de Relações Internacionais deste Ministério.
Da visita ao Ministério da Educação Superior e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, alguns dados interessantes são importantes de serem ressaltados, em relação ao ensino cubano. No campo das prioridades das pesquisas, pela ordem: a) produção de alimentos; b) saúde; c) tecnologia da informação e comunicação. Para tanto a nação conta com 65 instituições de ensino superior, com 743.979 alunos matriculados em 2007. Dados de 2006 revelam os seguintes indicadores:

À tarde, iniciamos a primeira de um total de quatro vistas técnicas que faríamos ao Ministério da Cultura de Cuba, antecedidas por uma audiência do Governador Jackson Lago com o Vice-Ministro daquela referida pasta.
Acerca da pauta específica da Cultura em Cuba, assim como dos desdobramentos dos intercâmbios e convênios a serem celebrados, nos comprometemos em prestar contas públicas no próximo artigo desta nossa coluna, publicado sempre às segundas-feiras.
Uma boa semana para todos, sem esquecer do Arraial “Raízes da Maranhensidade”, que acontece de quinta à sábado, em frente à Casa do Maranhão; neste final de semana com a presença do Boi de Maracanã, que teve o seu amo e cantador Humberto homenageado com o nome do Prêmio das Culturas Populares 2008, lançado pelo Ministério da Cultura recentemente em São Luís.
O secretário de Cultura do Estado, Joãozinho Ribeiro, escreve para o Jornal Pequeno às segundas-feiras.