INFRA-ESTRUTURA
De acordo com a Semosp, a manutenção de ruas e avenidas não pode ser maior se verbas para o setor não aumentarem
São Luís possui cerca de 500 bairros que abrigam centenas de ruas e avenidas. Nos últimos anos, toda esta malha viária vem sofrendo com a degradação do asfalto e com déficits de iluminação pública. Para José Raimundo Frazão Ribeiro, secretário adjunto da Semosp, o problema transcende a operacionalidade da Prefeitura de São Luís. “Ultimamente nossa maior dificuldade está no baixo índice dos recursos. O orçamento anual deveria, no mínimo, dobrar para que um trabalho melhor pudesse ser realizado”, explicou.
Descompasso – Nas últimas décadas a capital maranhense cresceu em índices populacionais. Contudo, o processo de urbanização não acompanhou o número de habitantes. Hoje em dia são dezenas os pontos críticos onde o Poder Público não consegue garantir melhorias de condições para a comunidade. José Raimundo afirmou que este fenômeno já foi percebido pela Prefeitura. “Nossa população cresceu em forma de cinturões de pobreza. Isso significa que tivemos um aumento no número de pessoas, aumentaram as demandas por obras e serviços sem que, no entanto, tivéssemos um aumento no número de contribuintes”, disse.
Atualmente a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) possui um orçamento anual de R$ 152 milhões. Dinheiro responsável pela coleta de lixo, recuperação de ruas e avenidas, iluminação pública, pagamento de funcionários, limpeza pública e uma série de outros serviços. Para José Raimundo, este orçamento é pouco e deveria ser aumentado. “A demanda por serviços é muito grande, mas os recursos são poucos. Acreditamos que ele deveria ser, pelo menos, dobrado para que os serviços pudessem ser mais sentidos pela sociedade”.
Em outubro de 2007, a Semosp concluiu uma grande obra de fresagem e recapeamento na rua Jorge Damous. Foram recuperados 770 metros de via em um investimento que chegou a quase R$ 200 mil. A via é hoje uma das principais ligações entre a avenida dos Franceses (Elevado Alcione de Nazaré) e a avenida São Marçal (João Paulo), motivo que agilizou a obra. Poucos meses depois, a avenida já havia sido tomada novamente pelos buracos. José Raimundo afirmou que a falta da rede de coleta de esgotos na estrada da Vitória, via paralela à Jorge Damous, colocou a obra em risco. “O esgoto possui substâncias que corroem o asfalto. Lá se instalaram poças de esgoto que acabaram se transformando em buracos”, disse o secretário adjunto.


O caso da Jorge Damous é um exemplo de como a falta de integração entre Caema e Semosp é quase escassa. “Temos diversos pontos para recuperar na cidade que dependem de ações da Caema. Enquanto elas não são feitas, ficamos de mãos atadas”, lamentou José Raimundo.
Iluminação e acessos – Nos últimos anos o setor de iluminação pública teve avanços substancias. Contudo, na visão de alguns motoristas o serviço ainda deixa muito a desejar. Como o estudante universitário José Joaquim Lima, que reclama constantemente das quedas de energia na avenida dos Portugueses. “As quedas de energia aqui são quase mensais. Se fossem quedas rápidas, até daria para entender. O problema é que a avenida às vezes fica dias sem ter energia. Ficamos sem luz e caímos nos buracos da avenida, uma lástima”.
A Semosp culpa a Cemar pela demora na manutenção da iluminação dos postes. “Cada setor possui um transformador, geralmente esses transformadores pifam e a ação da Cemar demora. Fazemos reclamações, mas eles demoram em atendê-las”.
Em relação às calçadas das avenidas, José Raimundo voltou a mostrar a falta de recursos como principal responsável pela falta de obras. “Alguns pontos da cidade precisam de intervenções imediatas, mas dependemos da aprovação de convênios para que as ações sejam realizadas”.
(Da Redação)
Santos Dumont: passado pune presente
Na última semana uma manifestação de moradores das adjacências da avenida Santos Dumont pediu mais atenção da prefeitura para a situação caótica daquela via. Para os manifestantes, o Poder Público esqueceu o lugar.
José Raimundo concordou com os moradores em relação à situação da avenida Santos Dumont. “A prefeitura é solidária ao problema deles (moradores). Contudo, deve-se compreender que o caso é mais complicado do que parece”, frisou.

O secretário adjunto informou que a avenida Santos Dumont não era uma prioridade a quatro anos atrás. Com a construção da avenida Guajajaras, o fluxo de veículos todo se concentrou lá. Portanto, a prefeitura não viu a recuperação da Santos Dumont como uma prioridade. E, quando se trabalha com poucos recursos, deve-se ter em mente quais são suas prioridades”, disse
No entanto, nos últimos anos o crescimento da frota de veículos e o posterior aumento no fluxo na avenida foram transformando o que era uma ação secundária em uma prioridade, informou José Raimundo. “Hoje em dia é óbvio que devemos fazer algo ali, e justamente por isso já estamos batalhando recursos para isso”.
De acordo com José Raimundo, até o final do ano a Caema deve iniciar obras na rede de coleta de esgoto, que está sobrecarregada. As obras da prefeitura dependem da liberação de recursos pelo BNDES.
Convênios: uma saída gradual
Hoje a prefeitura possui uma série de pedidos de convênios para o setor de infra-estrutura em tramite. Projetos que, em média, foram iniciados há quatro anos. “Uma das saídas encontradas por nós foram os convênios, mas eles estão inseridos em um processo longo e lento. Muitos dos recursos conseguidos por nós, serão efetivados na próxima gestão. E, enquanto equilíbrio fiscal da prefeitura não for alcançado, creio que o mesmo acontecerá no futuro”, disse José Raimundo.