Opinião
Por Robert Lobato*
Os altos índices de popularidade do presidente Lula têm criado uma legião de candidatos a prefeito, em todo o país, ávidos a pegar carona no ‘ibope’ do “Barbudo”. Essa competição frenética para colar na imagem do presidente chega a ser hilária, posto que é tanta gente querendo ser o “candidato do Lula” que o chefe da nação poderá, ao final da eleição, ter eleito gente do PT ao DEM.
No caso de São Luis não é diferente. A rigor, 60% dos candidatos que concorrem à vaga de prefeito da capital maranhense, integram a base do governo Lula. São eles: Flávio Dino (PC do B), Gastão Vieira (PMDB), Clodomir Paz (PDT), Pedro Fernandes (PTB), Waldir Maranhão (PP) e Cléber Verde (PRB).
Isso significa que é legítimo qualquer um desses seis candidatos reivindicarem o apoio de Lula, fazerem material de campanha com foto ao lado do presidente, pedir uma declaração de apoio etc. Senão vejamos.
O deputado Flávio Dino, embora não seja filiado ao PT, conseguiu, com ajuda do pessoal da Articulação, passar a perna na candidatura própria do partido de Lula e viabilizou-se candidato a prefeito tendo o PT de vice. Por ser do PC do B, partido que acompanha o Lula desde 1989, tende a querer monopolizar a imagem do presidente ao seu favor, mas não será fácil para o comunista explorar a figura do Lula e as políticas do seu governo como se fosse o único candidato do Planalto.
O candidato do PMDB, Gastão Vieira, é outro que tentará tirar proveito ao máximo da imagem de Lula para a sua campanha. Homem da confiança do senador José Sarney, é hoje vice-líder do governo Lula no Congresso Nacional e costuma fazer questão de mostrar que tem prestígio junto ao presidente. Aliás, Gastão Vieira chegou a movimentar-se intensamente a favor de uma aliança PMDB-PT em São Luis para a eleição de outubro.
Outro candidato que reúne todas as credenciais para colar na imagem de Lula, caso queira, é Clodomir Paz. Saído à fórceps de uma conturbada convenção, Clodomir é um quadro do PDT maranhense, partido do ministro Carlos Lupi, brizolista histórico do estado do Rio de Janeiro. Pode, portanto, aparecer ao lado do Lula nas suas peças de campanha levando junto o governador Jackson Lago.
O trabalhista Pedro Fernandes também tem lá a sua legitimidade para reivindicar-se candidato do Lula, visto que o PTB também ocupa uma pasta na esplanada dos Ministérios.
Ano passado Pedro Fernandes polemizou como o deputado petista Domingos Dutra, fazendo crer que defendia Lula de supostas agressões do tucanato maranhense. Chegou usar a tribuna da Câmara para rebater as críticas dirigidas ao Lula durante uma convenção do PSDB local. Sua iniciativa rendeu solidariedade e apoio do deputado petista Vicentinho (SP) que agradeceu a ‘defesa’ de Lula e do governo feita por Pedro Fernandes. Sem falar que o candidato trabalhista é o do mesmo partido de Cafeteira, fiel aliado de Lula e de Sarney no Senado.
Continuando a nossa lista de “candidatos do Lula”, temos o deputado Waldir Maranhão do PP. Eleito um 2006 com apoio do ex-governador José Reinaldo, o candidato progressista deu uma guinada no segundo turno das eleições de 2006 e acabou apoiando a candidatura de Roseana Sarney. Hoje Waldir Maranhão integra o pool de candidatos aliados da senadora, e por isso mesmo pode também querer aparecer na campanha eleitoral ‘coladinho’ no Lula, pois além de aliado do grupo Sarney, Waldir Maranhão é do PP que comanda o poderoso ministério das Cidades. É também o partido do Maluf, antes que esqueça.
Finalmente temos o PRB, do candidato a prefeito Cleber Verde. Embora considerado um pequeno partido, o PRB é da base aliada de Lula e possui nos seus quadros nada mais, nada menos, do que o vice-presidente da República José Alencar, além do destrambelhado ministro Mangabeira Unger. Com isso, Cleber Verde pode, da mesma forma que os outros cinco anteriores, sentir-se a vontade para estufar o peito e dizer que é o “candidato do Lula”.
Resumo da ópera: com tantos candidatos disputando, legitimamente, o apoio do presidente da República, com certeza ainda não será desta vez que Lula desembarcará em São Luis, a não ser que viesse e subisse no palanque dos seis candidatos da base aliada, o que é inverossímil. Lula quebraria o jejum de dez anos sem visitar São Luis se o candidato fosse o Bira do Pindaré, do PT. Mas, ao invés de fazer com que o presidente tivesse um único candidato de fato, o PT de São Luis preferiu dá margem para que Lula tivesse seis, um querendo ser mais que o outro “o candidato do Lula”.
Robert Lobato – membro do diretório municipal do PT/São Luis e presidente do Instituto Devir.
88272842
PS. Agradeço aos inúmeros colegas que pediram que voltasse a escrever meus artigos. Voltei, obrigado!